sábado, 23 de outubro de 2010

UMA RESPOSTA A DOIS AMIGOS: RELIGIÃO E POLÍTICA, NOVAMENTE!

O Rev. Gaspar escreveu este texto em resposta a dois amigos. Porém, por achar ser um texto extremamente relevante para o pensamento reformado sobre política, resolvi postá-lo aqui. Espero não ser por demais leviano nessa minha resolução. 

Ronaldo.
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NOTA: O texto é longo e sem imagens. Fui orientado a resumir o texto, mas não tenho o dom da síntese. Refiz algumas coisas e agradeço sinceramente ao Franklin pelas sugestões. Trata-se de uma resposta a dois amigos: um filósofo e outro historiador. Ambos presbiterianos. É sinal de um sintoma de longas décadas de doutrinação marxista-desconstrucionista-gramsciana. Por providência, fui logo vacinado, logo quando o "recontar da história" começou a atingir-me. Os textos de centenas de mestres (Prof. Olavo de Carvalho, Dr. Abraham Kuyper, Dr. Dooyeweerd, João Calvino , Schaeffer, documentos do período chamado "Ditadura Militar", Jornais antigos e de tantos outros textos e autores) vieram ao meu encontro e preservaram-me do ludíbrio historiográfico contado pelos que hoje estão no Poder, bem como livrou-me da dicotomização radical da vida. Vamos ao texto.
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Por Gaspar de Souza
1. Tendo passado o primeiro turno das eleições, ficou-se a nítida impressão de que o Brasilainda não quer ficar todo vermelho. Milhares de brasileiros mandaram seus recados aos institutos de pesquisas, estes “seres olímpicos”, cuja sapiência hérmica interpreta para os mortais as intenções de votos do “povo”, esse ente metafísico.
2. Dois amigos meus, cristãos e líderes, um formado em História e outro em Filosofia, vez por outra travam embates políticos comigo (ou eu com eles, claro). Mas, o que me irrita mesmo é o senso de “neutralidade historiográfica” ou, como o amigo filósofo escreveu, que deveríamos fazer política “de forma imparcial”, esquecendo que já optam por uma forma ou outra deparcialidade conceitual. Os dois incorrem em erro básico e deveriam estar cientes deste erro: todo posicionamento acerca de qualquer outra área do saber existe numa relação hermenêutica sujeito-objeto mediada por uma pré-compreensão daquilo que se deseja interpretar. Num tom mais heideggeriano “a interpretação sempre se funda numa visão prévia, que ‘recorta’ o que foi assumido na posição prévia, segundo uma possi bilidade determinada de interpretação”(Ser e Tempo, § 32). Isto também se aplica à História. O amigo historiador, doutrinado na dialética matério-hegeliano-marxista de eventos tipo causa-e-efeito, esquece-se de que suas concepções acerca da história estão arraigadas num backgroundfilosófico e, em última instância, epistêmico-metafísico. Diz o professor Murray G. Murphey (Truth and History, 2009, p. 4, 5):
A maioria dos historiadores considera as interpretações alternativas dos dados simplesmente como um fato da vida. Esta convicção assenta-se no fato de que o corpo de dados sobre qualquer questão histórica é limitada e que, ao contrário das ciências naturais, os historiadores não podem expandir sua base de dados à vontade. Dado todo o corpo, dados finitos fixos, é sempre possível inventar teorias alternativas que podem explicar aqueles dados. Mas isso não significa que essas teorias alternativas sejam igualmente boas para explicar os novos dados à medida que são descobertos.
Em outras palavras, meu amigo historiador escolherá os dados mais ajustáveis às suas pressuposições, podendo inventar teorias que, possivelmente, pudessem explicar seus “fatos”. Enfim, quando meus amigos pedem para que sejamos “parciais” ou procuram analisar a história como observadores neutros, já se tornaram parciais e subjetivistas. Não há campo neutro, não há dados neutros, não há história completa e não há política que não possua fundamento religioso, seja a favor de Deus ou contra Deus. Aos pontos apresentados por meus amigos, quando falam em nome da laicidade do estado, optam por um estado anti-religioso, visto ser impossível um estado a-religioso. Meus amigos contribuem maciçamente para a dicotomia público-privado.
3. Um deles diz que nem a esquerda entende os evangélicos, nem os evangélicos entendem a esquerda. Estes seriam ignorantes porque “vêem a questão social pela ótica da guerra fria e entendem temas como família apenas pelo viés moral”. Aqueles vêem estes apenas por “questões materiais”. Esperar-se-ia que a ‘esquerda’ fosse avaliada, mas, para surpresa, apenas os evangélicos e seus fundamentos teóricos acerca da família serão questionado. Para o articulista, os temas morais que os evangélicos debatem, além de reducionistas, estão longe do verdadeiro problema: moradia, trabalho, emprego, educação etc. Claro que estes temas “tocam à (sic) organização e estruturação da família”. Porém, como cristão calvinista, o articulista deveria olhar estes temas à luz da cosmovisão cristã. A menos que o nobre historiador não acredite que esta disciplina tenha algo a dizer.
4. O nobre escritor (e me espantou que o meu amigo filósofo usou o mesmo argumento daestrutura econômica para defender o PT e ser contra os evangélicos) deveria lembrar que ambos os temas estão associados e que, como na época do Rei Uzias, que reinou durante 55 anos em Israel, Judá muito prosperou (Cf. 2Cro 26. 1 – 15), mas veio a se orgulhar por tudo isso (2Cr 26. 16ss); esquecem-se do Rei Jeroboão II (825 e 784 a.C.), filho de Joás, e que se tornou o maior líder de Israel, Reino do Norte, governando por 41 anos. O Reino do Norte alcançou a “Idade de Ouro”(cf. II Rs 14. 23 – 29). Havia paz entre as nações e enriquecimento das pessoas. As relações internacionais estavam indo de vento em popa. As pessoas estavam prosperando economicamente; o comércio prosperava (Am. 8.5); a classe média expandia-se (Am. 4. 1 – 3), casas luxuosas estavam sendo construídas (Am. 3.15; 5.11; 6. 4, 11); os ricos estavam tranqüilos (Am. 6. 1 – 6). Esta época do Profeta Amós (séc. VIII a.C) ficou conhecida como “a época áurea de Israel e de Judá”. Mas havia um caos político, Moral e Religioso. Isto não estava patente ao povo dos Reinos do Norte (Israel) e do Sul (Judá), visto que era um período de prosperidade sem precedente. Porém, a despeito disso tudo, Israel e Judá estavam em terríveis pecados. Os pobres eram privados em seus direitos básicos (Am. 2. 6, 7 [liberdade – escravidão]; 5.7, 10 – 13[altos impostos]; 6. 12 [corrupção da justiça]; 8. 4 – 6 [opressão]); os endividados eram aceitos como escravos (2.6; 8.6. Cf Lv 25. 39; Dt 24. 12, 13); a imoralidade era a regra (Am. 2. 7). Ainda assim, a Religião e a Política econômica estavam em pleno desenvolvimento e atividade (Am. 4.4; 5.5; 8.3, 10). Qualquer semelhança com o Brasil não é mera coincidência.
5. Desta análise, conclui-se que os temas listados pelos interlocutores (moradia, trabalho, emprego, educação etc) e a melhoria de “muitos miseráveis” (palavras do amigo filósofo), não passam apenas pelo viés político-econômico; antes passam, sim, na base, no fundamento, daética – se quiserem aprofundar a questão, podemos falar que a ética é reflexo de uma concepção epistemológica – sendo assim, devendo o Cristão protestar não apenas contra o aborto, união civil do mesmo sexo, contra prostituição etc, mas principalmente pelofundamento deontológico dos políticos, quando estes oferecem moradia, trabalho, emprego, educação etc. às custas de valores éticos mais importantes. Portanto, a “discussão de temas” deve ser avaliada à luz do que pensam os políticos em termos morais, sim. E são os temas morais que destroem muito mais, como atesta o Livro do Profeta Amós (a menos que meus interlocutores não consideram a revelação naquele livro, claro).
6. Agora, isto me leva ao segundo ponto que meus interlocutores apresentam. Primeiramente, o meu amigo filósofo afirma que os “líderes evangélicos” deixem de ser “tutor de suas ovelhas”. Nada mais destoado da teologia calvinista do que isso. Ora, de acordo com o Apóstolo Paulo, o magistrado “é ministro de Deus”(Rm 13.1 – 4), tanto quanto um pastor é ministro da Palavra. A diferença entre os dois é o “poder da espada” (linguagem da Confissão de Fé de Westminster – cap. 23, § i) quem ambos trazem. No primeiro, o poder da espada é temporal, usada para “castigo dos malfeitores e incentivo e benefício dos bons” e tudo isso visando a “glória de Deus e para o bem público” (idem). Este não pode tomar sobre si a “administração da palavra, dos sacramentos ou o poder das chaves do Reino do Céu, nem de modo algum intervir em matéria de fé; contudo, como pais solícitos, devem proteger a Igreja do nosso comum Senhor, sem dar preferência a qualquer denominação cristã sobre as outras, para que todos os eclesiásticos sem distinção gozem plena, livre e indisputada liberdade de cumprir todas as partes das suas sagradas funções, sem violência ou perigo. Como Jesus Cristo constituiu em sua Igreja um governo regular e uma disciplina, nenhuma lei de qualquer Estado deve proibir, impedir ou embaraçar o seu devido exercício entre os membros voluntários de qualquer denominação cristã, segundo a profissão e crença de cada uma”(CFW, cap. 23, § iii).
Neste ponto, já esta citação seria suficiente para que o meu amigo historiador percebe-se que, pelo menos entre os calvinistas, não há “algum grau de dificuldade na relação com o estado laico”. As palavras da CFW são um primor da democracia. O problema é que o estado atual, eivado de materialismo-histórico-gramsciano, quer colocar a igreja sob sua tutelaseparando as coisas em “isto é política, não religião”, isolando a religião do debate político. Então, ao invés de termos um estado laico, temos um estado anti-religioso. Tratam de temas da ética, da moral e da religião religiosamente implícito na política. Nas palavras de Kuyper: “Nenhum esquema político jamais se tornou dominante a menos que tenha sido fundado numa concepção religiosa específica ou numa concepção anti-religiosa”.
7. Já os “ministros da Palavra” têm o poder eclesiástico da espada, sendo o “governo da igreja” diferente da magistratura civil. Ainda citando a CFW (cap. 30, § ii), a estes foram entregues “as chaves do Reino do Céu. Em virtude disso eles têm respectivamente o poder de reter ou remitir pecados; fechar esse reino a impenitentes, tanto pela palavra como pelas censuras; abri-lo aos pecadores penitentes, pelo ministério do Evangelho e pela absolvição das censuras, quando as circunstâncias o exigirem”.
8. O que isto tem a ver com o fato dos pastores e padres alertarem suas ovelhas a não escolherem certos candidatos ao governo? Ora, estes futuros ministros serão pastores da Nação, e se o pastor eclesiástico, quando “vê vir o lobo, e deixa as ovelhas, e foge; e o lobo as arrebata e dispersa as ovelhas”, não passará de um mercenário, visto não ter “cuidado das ovelhas” (Cf. Jo 10. 12, 13). A igreja, como instituição e organização é apartidária. Ela não tem um candidato, um partido, uma ideologia política, uma bandeira governamental etc. O púlpito não é lugar para promover candidato, mas para afirmar e orientar o rebanho não apenas sobre o reino dos Céus, mas sobre o Reino de César.
9. Não exercendo este ministério holisticamente, podemos negligenciar a dádiva divina de um governo democrático como representantes sérios e vocacionados. Nas palavras de Calvino, citadas em Abraham Kuyper: “E vós, Ó povos, a quem Deus deu a liberdade de escolher seus próprios magistrados, cuidem-se de não se privarem deste favor, elegendo para a posição de mais alta honra, patifes e inimigos de Deus.” (2002, p. 91).
10. Fica claro que são os nobres colegas que estão distantes dos pensamentos biblíco-reformado-calvinista. Os pastores e padres devem, sim, orientar e alerta suas ovelhas acerca dos lobos que estão em todos os partidos. Não, há, caro filósofo, “partido perfeito”, nem o PSDB é o “partido de Deus”, mas os partidos mais republicano (se houver algum, claro. Cf. em Is 33.22 os “três poderes” da República) representam melhor os valores do Reino de Deus (e não estou falando de oração, sacramento, pregação etc. Estou falando de ação social, liberdades individuais, liberdade da imprensa, liberdade de expressão, autonomia da família, da igreja, propriedade, terra, economia, educação, saúde, promover meios para ascensão social etc.). Portanto, caro filósofo, parafraseando o Cristo digo: “acautelai-vos dos falsos políticos e dos políticos falsos”(Cf. Mt 7.15).
11. A discussão, então, deixa de ser pela polarização “esquerda-direita”, “guerra fria e militares” para ser guerra ideológica, trantando a política pela via positiva, ou seja, a mensagem cristã tem implicações públicas e sociais. O que temos visto, no entanto, é uma hegemonia no pensamento secularista, que cria uma hegemonia ideológica que até mesmo os protestantes aceitam. Leiam esta citação do teórico político Antonio Gramsci:
O moderno Príncipe [NA. O Partido da Classe Operária], desenvolvendo-se, subverte todo o sistema de relações intelectuais e morais, uma vez que seu desenvolvimento significa (...) que todo ato é concebido como útil ou prejudicial, como virtuoso ou criminoso, somente na medida em que tem como ponto de referência o próprio moderno Príncipe (...). O Príncipe toma o lugar, nas consciências, da divindade ou do imperativo categórico, torna-se a base de um laicismo moderno e de uma completa laicização de toda a vida e de todas as relações de costume (apudAZEVEDO, 2007. Grifos meus)
12. Lendo isto, nota-se como o PT possui esta estratégia e, meus amigos, reproduziram esta ideologia e não a perceberam. Agora, quem não está entendendo a relação igreja-estado, prezadíssimo historiador? É o que dá ser doutrinado nas Academias como se seus mestresfossem o poço da isenção ideológica. Pobres almas!
13. Não há, queridos irmãos, na ótica bíblico-calvinista, separação da “ordem privada” do “campo de ação do comportamento público”. O texto que se segue, do filósofo Criss Gousmett, nos dá conta desta falácia de “ordem privada” e “ordem pública” aceita pelos amigos, especialmente pelo historiador. O texto é longo, mas vale a pena.
Tudo que fazemos é religioso, uma vez que tudo o que fazemos resulta da nossa condição de criaturas: o fato de que Deus nos criou para um propósito específico, para cuidar e desenvolver o mundo que ele fez. E, porque estamos arraigados na dependência de Deus para nossa existência, a nossa relação mais fundamental na vida é religiosa, que governa e modela todas as coisas que fazemos, e desta raiz surgem nossas cosmovisões. Porque tudo que fazemos é moldado por nossa obediência ou rebelião contra Deus e Seu Pacto, a religião está arraigada na vida humana e todas as coisas que fazemos têm um caráter religioso. Não existe maneira de podermos manter a ideia de um mundo secular (ou seja, um mundo afastado de Deus), exceto sob a ilusão do pecado. Assim, nossas cosmovisões, nossa teologia, nossa filosofia [nossa visão da história, da política etc – NT) são formadas por nossa religião, isto é, o compromisso total do coração para o que conhecemos como Deus. Como vivemos o nosso compromisso de nosso coração em tudo o que fazemos, esta religião molda todas as coisas em que estivermos engajados: teologia, filosofia, políticas, educação, economia etc. Todas as áreas vida se encaixam porque tudo está enraizada em nossa vida religiosa. Para o Marxista somos basicamente seres econômicos; para o Freudiano somos basicamente seres reprimidos sexualmente; para o Cristão somos basicamente seres religiosos. A característica mais fundamental de tudo é a religião, isto é, a relação que temos com o que o quer que seja que chamemos de deus. Nossa cosmovisão é a expressão deste compromisso religiosos, formando a maneira pela qual nós realmente vivemos nossas vidas e, portanto, como fazemos filosofia e teologia (ou política, ou história etc – NT) e como podemos expressar a nossa religião.(GOUSMETT, 1996, p. 20, 21)
14. Enfim, no discurso escrito dos meus amigos, percebo a ingenuidade de acreditar que o problema é apenas acerca do aborto ou outras questões morais. A crítica que um deles faz a candidata Marina – percebe-se nele a “esquerda raivosa”, para usar uma frase dele acerca da “direita raivosa” – é pueril. Não considera o aspecto do todo, atribuindo a Marina, a quem chama de “Al Gore tupiniquim” – embora em outra ocasião, mais antiga, a chamou de “uma pessoa extraordinária” e uma “mulher incrível” – a culpa de não entender os evangélicos por culpa da conversão tardia e da filiação denominacional da candidata. Esqueceu-se ele dos muitos elogios, da foto com a candidata e do “evento que foi excelente” e da “aula impagável”, cuja “história pessoal dá-lhe a todo momento a legitimidade necessária a seu discurso”? Já sei! Acabou-se o sonho de “um convite para construção de novas utopias”.
15. Caro amigos, não incorram no erro de acreditar que os temas da ética não devam ser tratados. Os Cristãos querem mais, e fazem isto de modo tácito. Embora eu não concorde com o reducionismo ético, como se os problemas para os cristãos fossem apenas o aborto e os gays, meu conselho tem sido que irmos à raiz do problema: o que o PT acredita em suaideologia, em seu pensamento fundamental que governa cada área da vida, não apenas as sociais e ambientais.
Se a vida é verdadeiramente entendida como religião, isto é, serviço a Deus em amor e obediência [ou rebelião – NT] como uma responsabilidade da criatura humana em uma situação histórica particular, então é impossível fundamentar, em categorias incontestáveis mutuamente exclusivas, a adoração e a política. [...] A autêntica adoração cristã terá significado político concreto. (Albert F. GEDRAITIS, 1972, p. 9)
16. Não me parece, caros amigos, que os cristãos desejam transformar este país numa “teocracia”(vide filósofo), nem mesmo que os pastores estejam manipulando “de forma tão grosseira”. O “caldo de cultura conservadora entre muitas lideranças” cultivam, sim, não um “sentimento anti-petista radical”(ao amigo historiador, até parece-me que você cultiva “um sentimento anti-peesedebista radical”. Viu como é fácil gerar ad hominem?), mas um senso de preocupação com questões mais nítidas (talvez seja miopia gospel) como as que vieram à pauta. Eles entendem que o que está em jogo são as questões das liberdades individuais. Sendo assim, caros amigos, preocupa-nos muito mais as questões de cunho moral, pois não haverá emprego se não houver crianças nascendo, crescendo e a geração atual envelhecer; para quem serão as universidades se a dizimação da vida e o impedimento de criar filhos e famílias fortes forem implantados? Não haverá redução de pobreza enquanto pensar-se no velho discurso de “divisão de classe”, querendo resolvê-la pelo confronto hegeliano a fim de gerar uma síntese estatal absoluta sobre ambos. Se a mortandade aumentar o extermínio e a relativização e depredação dos valores judaico-cristãos, que moral haverá para criarem-se empregos e famílias, se valerá tudo para satisfazer a natureza egoística deste ser humanocaído? Aliás, prestem atenção como o Francis Schaeffer (2003, p. 13) alerta para os perigos do enfraquecimento dos valores morais, falando como a moral da Grécia e de Roma contribuiu para queda destes impérios. Ele diz que o problema fundamental está naquilo eles pensavam acerca de seus deuses.
mas seus deuses não eram grandes o bastante, porque eram finitos, limitados. Mesmo todos os deuses juntos não eram infinitos. Na verdade, os deuses do pensamento grego e romano eram muito semelhantes a homens e mulheres acima do comum, mas não essencialmente diferentes dos homens e mulheres humanos [...] Os deuses eram uma espécie de humanidade ampliada, não divindades. Como os gregos, os romanos não tinham um deus infinito. Assim sendo, eles não tinham nenhum ponto de referência suficiente, do ponto de vista intelectual; isto é, eles não tinham nada que fosse suficientemente grande ou suficientemente permanente a que pudessem prender o seu pensamento, ou a sua vida. Conseqüentemente, o seu sistema de valores não era suficientemente forte para fazê-los suportar os desafios da vida, tanto individual quanto política.
Lembra o que eu disse mais acima? É a religião de novo. E na base ideológica do PT (e de qualquer outro, como é o caso), o que se encontra é um ídolo. Por isso que suas propostas são mais radicais e eles não toleram os cristãos que não se embevecem com estas propostas. Novamente, faço minhas as palavras de Schaeffer, quando comenta o motivo dos cristãos terem sido perseguidos por Roma (idem, p. 17): “nenhuma autoridade totalitária ou Estado autoritário pode tolerar os que têm um referencial absoluto, de acordo com o qual avaliam aquele Estado e suas ações”. Aquelas coisas, portanto, terão a ver com a família, quando estas questões forem tratadas, entenderam?
17. Queridos, parem de ver as coisas de maneira fragmentada. Procurem ver o que há sob a superfície. Tratemos das questões sociais, mas não pensem que os pressupostos do PT, muito mais do que em outros partidos, são compatíveis com o Cristianismo. Ambos possuem deuses diferentes. Suas cosmovisões são mutuamente excludentes e opostas e os resultados de ambos também produzem resultados opostos nas áreas sociológicas, governamentais e, especificamente, legais (MANIFESTO HUMANISTA). Por isso não é problema para o Sr. Presidente quebrar TODAS as leis eleitorais; falar em ética, mas mentir acerca de tudo; de discursar para “eliminar” a oposição, como se já vivêssemos numa petecracia; de quebrar toda liturgia que o cargo lhe confere; de se referir aos adversários políticos como “esse sujeito” ou “esse cidadão”; de mudar a verdade em mentira e transformar a mentira num método. Para ele não há referenciais absolutos, a não ser o Partido, para quem todos os meios são válidos (mentiras, campanhas difamatórias como já estão ocorrendo no Recife, dizendo que Serra vai acabara a “bolsa família”, vai privatizar TODO bem público etc).
18. Não mais me estenderei sobre os textos dos amigos. Acredito que já foi, para mim, o suficiente para perceber que vocês estão eivados de pressupostos contrários à fé reformada; em termos políticos, claro. Ambos são engodados pela falácia “público-privado”; um está com a cabeça cheia do historicismo-materialista, e tão impregnado como a distinção acima, que nem percebe que tomou o nome de Deus em vão por diversas vezes, misturando os dois campos (é o que Van Til chama de “tensão entre o racional e o irracional”). O outro não observou que escolher entre um não-cristão experiente e um cristão não-experiente, confundindo a doutrina da vocação geral dos homens (a graça comum), acredita que os TODOS os pastores estão ensinando aos crentes a votarem em crentes; e que, ao orientar aos “líderes evangélicos” a não manipularem suas ovelhas, acaba incorrendo no mesmo erro, visto tentar eles mesmo manipular os manipuladores.
Termino citando Kuyper novamente (idem, p. 91. grifos meus):
Posso adicionar que a escolha popular é bem sucedida, naturalmente, onde nenhum outro governo existe, ou onde o governo existente se enfraquece. Onde quer que novos Estados tem sido instituídos, exceto pela conquista ou pela força, o primeiro governo [NA – a democracia] sempre tem sido instituído pela escolha popular; e assim também onde a mais alta autoridade tem caído em desordem, quer pelo desejo de uma fixação do direito de sucessão, quer através de revolução violenta, sempre tem sido o povo que, através de seus representantes, reivindicou o direito de restaurá-lo. Mas com igual resolução, Calvino afirma que Deus tem o poder soberano no modo de administração de sua providência, para tirar de um povo esta condição mais desejável, ou nunca concedê-la absolutamente quando uma nação é inapta para ele, ou, por seu pecado tem sido completamente privada da bênção.
Em Jesus Cristo, que está acima de César,
Gaspar de Souza

A Bíblia: Um Livro-Texto de Política


por Gary DeMar

A Bíblia está cheia de “política”. Aqui estão alguns poucos exemplos de envolvimentos políticos encontrados na Bíblia: Noé recebeu autoridade para executar assassinos (Gênesis 9.6,7); José tornou-se governador no Egito (Gênesis 41.38-49); Israel foi mantido em cativeiro por um governador político que se levantou contra o reino de Deus (Êxodo 1.8, 14.1-31); “jurisprudências” são tabuladas para família, igreja e Estado (Êxodo 21-23); Deus instrui tanto sacerdotes como reis para seguir a sua lei (Deuteronômio 17.14-20); o livro de Juízes mostra a inter-relação entre religião e governo; 1 Samuel 8 mostra como ter rejeitado a Deus como o verdadeiro Rei de Israel levou o povo a substituí-lo por um rei terreno (uma tentativa de igualar o Estado ao reino de Deus); os livros de Samuel, Reis e Crônicas relatam o surgimento e a queda de reis e reinos, com reis escolhidos diretamente por emissários de Deus (e.g., Jeremias 36-38). Daniel serviu como um dos três comissários civis de Dario (Daniel 6).

Gênesis 9.6-7 Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem se derramará o seu; porque Deus fez o homem segundo a sua imagem. Mas sede fecundos e multiplicai-vos; povoai a terra e multiplicai-vos nela.

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[MIGT.JPG] miguel silva

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Deus e o Mal, de Gordon Clark





Com frequência os cristãos insistem não possuir todas as respostas. Contudo, quando o dizem, eles quase sempre se referem a algo explicado com clareza na Bíblia. Mas se a Bíblia aborda um tópico, não temos o direito de falar como se ela não o fizesse. Embora seja verdade que ela não nos concede onisciência, a Bíblia contém mais respostas do que os cristãos costumam reconhecer.
Um exemplo primário é o chamado problema do mal. Embora várias tentativas tenham sido realizadas para diminuir a força do dilema, parece consenso geral entre os cristãos que essas tentativas não são inteiramente satisfatórias, e que o mal é de fato um mistério, algo que não se pode entender ou explicar. Mesmo os herdeiros da Reforma, que se vangloriam da teologia mais bíblica e lógica, retrocedem choramingando paradoxos e contradições. Um teólogo proeminente chamou o pecado de “buraco negro” e abandonou a tentativa de explicá-lo.

Este recuo generalizado é inaceitável porque o problema do mal se apresenta como o golpe fatal contra o cristianismo. Ele sugere que a natureza divina e a existência do mal sejam logicamente incompatíveis. A ameaça não pode ser subestimada, e o apelo ao mistério é equivalente à rendição. E após um ou dois, ou centenas de apelos ao mistério, como compelir os não cristãos a admitir que a fé cristã é eminente e obviamente racional?

Mesmo que ignoremos a percepção pública – isto é, mesmo que permitamos Deus ser blasfemado – a verdade é que ninguém pode verdadeiramente afirmar duas proposições incompatíveis de acordo com a lógica. A alegação de contradição apenas aparente é irrelevante, pois tão logo se perceba a contradição, não se pode afirmar as duas proposições. A natureza da contradição é tal que afirmar um de seus lados equivale a negar o outro, de forma que afirmá-los é também negá-los na ordem inversa, e que negar os dois significa afirmá-los na ordem inversa de novo. Assim, afirmar os dois lados da contradição é afirmar nada, ou pior que nada. É um exercício sem sentido.

Se a natureza divina e a existência do mal são de fato mutuamente excludentes, então os cristãos devem abandonar a crença em Deus ou consignar o mal à mera ilusão. Qualquer dessas opções significa a rejeição da fé cristã. Se afirmar Deus é negar o mal, e se afirmar o mal é negar Deus, então afirmar Deus e o mal é negar o mal e Deus, o que significa afirmar Deus e o mal, assim por diante ad infinitum. Portanto, quem alega afirmar Deus e o mal, mas afirma perceber a contradição entre os dois, é mentiroso, pois na verdade ele afirma apenas um dos dois, ou é um tolo, e não entende o que diz.

Além disso, o apelo ao mistério é inaceitável porque a Bíblia explicitamente nos informa sobre a origem e o propósito do mal. Dessa forma, o apelo ao mistério sugere ignorância ou rejeição da explicação bíblica. Neste caso, o clichê “Não temos todas as respostas” está longe da admissão humilde da limitação humana; trata-se na verdade da recusa de ouvir a Deus. Pelo fato de a Bíblia oferecer a resposta intelectual, ética e psicologicamente satisfatória, a humildade exigiria seu aprendizado e aceitação por parte dos cristãos.

Portanto, a única abordagem correta é mostrar que o chamado problema do mal apresenta um falso dilema, e que não existe nenhum mistério aqui, nenhum paradoxo, nenhuma antinomia, nenhuma contradição entre os dois, e que é possível afirmar a existência de ambos de forma coerente.

Mais uma vez, o dilema é a alegação de que a natureza divina e a existência do mal são incompatíveis. Como argumento ele recebe várias formas, mas a ênfase principal permanece idêntica. Por exemplo: “Se Deus é amor, como pode existir o mal?”. Ou, “Se Deus é amor, então ele desejaria eliminar o pecado, mas ele não eliminou o pecado”. O mal natural também é incluído nessa linha de pensamento: “Se Deus é amor, como ele pode causar ou permitir o desastre que matou cinco mil pessoas?”.

Tenha em mente que o argumento supostamente revela uma contradição na cosmovisão bíblica. Isso significa que as definições para todos os termos-chave, incluindo amor e mal, devem vir da própria Bíblia. O argumento não alcançaria seu objetivo caso mostrasse que o conceito cristão de amor é incompatível com a ideia não cristã de mal, ou vice-versa. Isso apenas significaria a discordância entre cristãos e não cristãos – algo redundante no debate em que os não cristãos apresentam argumentos para desafiar a fé cristã. Antes, para demonstrar a incoerência de uma cosmovisão, todos os termos-chave devem ser tomados de dentro dessa cosmovisão.

Dito isso, a Bíblia nunca sugere que Deus, por seu amor, deva eliminar todo o mal, muito menos fazê-lo de imediato. Na verdade, ele preservará o mal para sempre no inferno, e nos demônios e pecadores que devem suportar o sofrimento sem fim ali. Haveria um dilema se a Bíblia afirmasse que Deus deveria eliminar todo o mal, e que ele não o elimina ou não o eliminará. Entretanto, inexiste dilema caso a própria Bíblia ensine que Deus não eliminará o mal, e que ele o preservará, e então o chama de Deus amoroso. Evidentemente, a Bíblia define o amor divino de uma forma que pode acomodar isso. É inútil queixar-se de que o conceito antibíblico de amor divino não o permita. A declaração bíblica obviamente contradiz o que é antibíblico, mas isso não mostra nenhuma inconsistência no sistema bíblico.

Não importa a forma assumida pelo desafio, ele pode ser refutado da mesma maneira. Ele nunca chega ao ponto de mostrar alguma contradição interna da visão bíblica e, portanto, não possui relevância. Ele continua repetindo que um termo antibíblico é incompatível com um termo bíblico, e algumas vezes ambos os termos são antibíblicos; isso de alguma forma deve causar problemas para a fé cristã. Ora, isso sim é um mistério!

Como argumento contra a fé cristã, o chamado problema do mal nunca pode ser proposto de forma inteligível. Assim, inexiste objeção a que os cristãos devam responder. Poderíamos continuar demandando que os não cristãos consertem o argumento e jamais seríamos forçados a contribuir. Todavia, nossa resposta não é totalmente negativa. É de fato possível discutir a existência do mal, de acordo com a revelação bíblica, mas apenas como tópico da teologia cristã; jamais como um problema para a teologia cristã. A Bíblia ensina que Deus é soberano sobre a totalidade do pecado e do mal, e por seu amor para conosco, seus eleitos, ele ordenou sua existência para demonstrar sua paciência e ira, e apresentar sua glória e justiça.

O argumento a partir da existência do mal não é embaraço para a fé cristã; antes, é a plataforma de ataque do cristão contra quem ousa usá-lo. Os pecadores se consideram informados e inteligentes, mas Paulo escreve que, embora se considerem espertos, são tolos. O uso desse argumento é um elemento de prova de que os não cristãos são irracionais, desinformados e preconceituosos. Esse problema do mal circula entre os homens, não pela inconsistência da fé cristã, mas pelas tolices concebidas pelos não cristãos. Da próxima vez que o não cristão o confrontar com esse argumento, não tema. Antes, regojize-se, pois o Senhor lhe deu a vitória. Ele entregou o adversário em suas mãos.

O tratamento dado por Gordon Clark sobre o assunto é uma joia rara. Enquanto outros recuam e transigem, concedendo ponto após ponto, ele encara o desafio com conhecimento e precisão, mantendo a natureza divina constante e explicando todas as outras coisas por ela. Essa é a única abordagem correta, e resulta em uma resposta que não pode ser refutada. No processo, ele interage com vários teólogos e filósofos, chega a definições apropriadas para termos cruciais e responde às objeções. A exposição, de forma geral, é tão excelente que quase torna as outras tentativas supérfluas.

Vincent Cheung
Boston, Massachusetts
Outubro de 2010 Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto
Revisão: Rogério Portella Publicado em 14 de outubro de 2010 – 13:21


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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Onde Estão os Reformadores?


Onde Estão os Reformadores?

É muito difícil não estar preocupado a respeito do estado das igrejas evangélicas hoje. Não é nem tanto pela abundância de erros; isto já é sério o suficiente. Mas, o que é tão sério quanto isto e mais preocupante é que o espírito de reforma nos deixou. Onde estão os reformadores? Em vão nós procuramos por eles. A ausência deles é uma das maiores evidências do fato de que nós vivemos em dias de declínio espiritual.

Como é que vamos reconhecer um verdadeiro reformador? Não será por causa de algum "plano de reforma" que ele irá publicar. Nenhum verdadeiro reformador das gerações passadas jamais anunciou algum "programa", "estratégia", ou "década de reforma". Cada um simplesmente foi fiel às Escrituras e através da sua fidelidade a Reforma veio. Quando Lutero afixou as suas 95 teses na porta da igreja ele não sabia que estava preparando o caminho para a Reforma. Ele estava simplesmente sendo fiel às Escrituras. Quando William Tyndale decidiu traduzir a Bíblia para o inglês, a qualquer custo, ele não estava ciente de que estava preparando o fundamento para o nascimento do Puritanismo na Inglaterra. Quando Thomas Chalmers lutou contra o modernismo e contra o patrocínio de ministros e exigia o direito da congregação escolher o seu pró[rio ministro e a resistir os líderes que fossem forçados a assumir o púlpito, e quando ele protestou contra todas as tentativas do Parlamento ou dos Tribunais de inferência nos assuntos espirituais ou eclesiásticos, ele não sabia que isto iria resultar no chamado hoje de Disruption (Ruptura).

Estes reformadores da igreja estavam apenas imitando o exemplo do próprio Salvador, que simplesmente pregava de maneira fiel às Escrituras. Jesus apontou os erros da igreja nos seus dias, e foi rejeitado por causa da sua fidelidade. É assim que sempre será aqui na terra. A reforma não requer conferências especiais, especialistas caros, muito investimento em propaganda; na verdade, se qualquer pessoa que poderia vir a ser um reformador passasse a gastar tempo e investir nestes planos, eles não estariam mais agindo no espírito da reforma e seriam julgados por isso.

Quando pensamos a respeito do trabalho dos reformadores da igreja, jamais devemos olhar para as pessoas apenas. O livro escrito por Lucas deveria ser conhecido como "Os Atos de Cristo Ressurreto", ao invés de Atos dos Apóstolos. A Reforma da Igreja sempre é um trabalho soberano do Senhor. Qualquer reforma que realmente mereça este nome é inteiramente o trabalho de Deus e não o fruto de uma ação ou pessoa qualquer.

A Bíblia nos diz que "O Espírito do Senhor revestiu Gideão" em Jz.6:34. Isto não quer dizer que Gideão se ergueu imediatamente e entrou em ação, que ele de súbito jogou fora a preguiça e a sensação de derrota, e que o desejo de batalha o encheu, fazendo com que ele pegasse nas armas para lutar. Se isto fosse verdade, nós não estaríamos lendo a história dos Atos de Gideão, mesmo se o Espírito tivesse dado o primeiro impulso ou a primeira fagulha de ação. O que nós lemos é que "O Espírito do Senhor REVESTIU a Gideão". Estas belas palavras significam literalmente que o Espírito do Senhor revestiu a Gideão. Esta é a palavra usada quando o homem coloca sua roupa de trabalho para ir trabalhar. O soldador protege o seu rosto da solda, se reveste com óculos de proteção, o ferreiro coloca o seu avental de couro, revestindo seu corpo de proteção, o piloto coloca sua jaqueta de vôo e está pronto para ir trabalhar. Mas ninguém é tão ingênuo que possa pensar que a roupa é quem capacita para o trabalho, mas sim, o trabalhador revestido, é quem faz o trabalho. A Bíblia nos diz que o Espírito do Senhor revestiu Gideão, e este autor compreende que naquele momento, Gideão era para o Espírito o que o avental de couro é para o ferreiro. Gideão é apenas a roupa de trabalho - quem faz o trabalho é o Espírito de Deus. Então quem estava entrando em ação para libertar o povo e elevar o padrão? Era o Espírito Santo!! O Senhor se levanta para a batalha. O livro de Juizes não é um conjunto de estórias de grandes feitos de algumas pessoas exemplares; é o resultado dos poderosos feitos de Jeová. Olhe a vida subseqüente de Gideão e irá encontrar um homem que cai. O que ele fez foi unicamente por intermédio de Deus, em um período de reavivamento.

Se a Reforma da Igreja não for vista desta maneira, nós ficaremos tão atarefados, estudando fatos e pessoas que participaram de eventos no passado. Sempre que existe um declínio na igreja e a acomodação domina, algumas pessoas ficam preocupadas e começam a reclamar do que está acontecendo. Eles dizem, "Sim, temos uma doença aqui, mas você não vai desertar da sua mãe doente!" Estas pessoas dão uma aparência de responsabilidade e gentileza, mas o diagnóstico delas está errado. As igrejas em declínio não são mães doentes; elas são médicos ruins dando veneno às mães e pais e crianças que foram colocadas sob os seus cuidados.

Também existiram pastores preocupados, trabalhando nas igrejas durante o tempo da Reforma. Este foi o caso, por exemplo, no País de Gales. Uns 200 anos foram necessários para que as verdades da Bíblia fossem aceitas pela maioria dos cristãos daquele principado. Como se explica isso? Era porque muitos pastores diziam às suas congregações que estavam preocupados com o estado da igreja, até falavam das mensagens da Bíblia, mas não entravam em ação. Eles acalmavam o povo com expressões de preocupação, mas a igreja local permanecia exatamente onde estava. Não foi transformada aquela comunidade até que a Palavra foi vigorosamente aplicada na vida daquele povo, e assim, dois séculos mais tarde eles passaram a viver e praticar o que o Novo Testamento ensinava. A oportunidade foi perdida na época, e só foi aproveitada 4 ou 5 gerações mais tarde.

Isto é o que acontece freqüentemente hoje, ministros e pastores falam dos erros existentes em suas denominações, e muitos diáconos ou presbíteros o apóiam, mas a "mamãe está doente", e nada é feito. Eles expressam a sua preocupação, permanecem "fiéis" e "evangélicos"; tomam conta do seu próprio púlpito e não fazem nada a respeito do que está sendo dito nos outros púlpitos da mesma região e denominação. Eles cooperam com todos os homens em campanhas evangelísticas e a sua estratégia alegra os moderados perfeitamente, assim, a moderação prevalece. Traição ao Evangelho está prevalecendo e eles pensam que podem trabalhar para reformar oferecendo o seu tempo. Tentam ir mudando os médicos que envenenam o povo gradualmente, até que os evangélicos como eles sejam maioria. Então elas começam por submeter-se e dialogar com os "envenenadores", e assim fazem parte deste mal que assola a igreja. Querem preparar toda a estratégia da reforma com as próprias mãos. Eles irão determinar um plano para si mesmos. Assim eles irão assumir a posição que o Espírito reservou só para Si.

A reforma genuína não tem nada a ver com as estratégias e planos humanos. As pessoas "bem intencionadas" estão capengando e tentando fazer um pouco neste momento para tentar deter o movimento das denominações históricas, buscando uma união com a Igreja Católica Romana, e os modernistas são exatamente este tipo de reformadores. Eles estão fazendo algo, não com convicção, mas com a sensação de que existem muitos homens mais capazes do que eles; na verdade estes homens não estão fazendo nada.

O caminho usado pelo Senhor para levar os reformadores da Sua Igreja pertence só a Ele. Os homens são instrumentos cegos, o mero avental de couro que o Espírito Santo veste quando vai entrar em ação. Eles são soldados, não sabem de todo o plano da batalha. Eles não são diplomatas ou estrategistas que decidem onde e como irão se posicionar estrategicamente. Este tipo de estratégia é totalmente errada, quando se trata da Igreja do Nosso Senhor.

Existe uma coisa que nós sabemos a respeito dos reformadores. Eles não são compreendidos e são mal interpretados e julgados pelos seus contemporâneos. Você deve ler o que os opositores de Spurgeon escreveram a respeito da sua pessoa e do seu caráter. Neste obituário escrito no THE TIMES, Joseph Parker foi gentil quando escreveu o resumo da vida de Spurgeon desta forma: "O Sr. Spurgeon era totalmente destituído de benevolência intelectual. Se homens enxergavam as coisas do ponto de vista dele, eram ortodoxos; se eles viam de qualquer outra maneira eram heterodoxos, pestilentos e não adequados para ensinar a mente dos alunos inquisidores. O Sr. Spurgeon era dono de um egotismo (ou vaidade) superlativo; não do tipo tímido e disfarçado, mas um egotismo adulto, maduro, controlador, do tipo que toma os assentos mais importantes como se fossem seus por direito. As ;únicas cores que o Sr. Spurgeon reconhecia eram o preto e o branco". (The Time, 03-02-1892).

O padrão é sempre o mesmo. O reformador é considerado um homem brilhante, mas solitário. Ele é acusado de pensar que não é compreendido. É desconfiado, veemente, afiado, absolutista; ele vê corrupção em tudo, podridão, um processo de subversão; é agressivo, sempre quer tudo à sua maneira; vem de uma minoria cultural dentro do seu país; nunca compreende as questões; não foi educado ou instruído no certo; ele é ... velho!! Isso é o que pensam do reformador.

Neste aspecto, o discípulo não é maior do que o seu Senhor. Cristo foi rejeitado e odiado, chegou a ser chamado de glutão e tomador de vinho, que sempre estava cercado de prostitutas e coletores de impostos, que veio do lugar errado, que desprezava a lei e a virava ao contrário. Ele foi taxado de revolucionário que pregava a rebelião contra as autoridades eclesiásticas; um que surgiu no palco da vida pública sem autorização ou competência. Até hoje ainda aparecem novas acusações contra ELE.

Esta é a visão que as pessoas têm, por não entenderem que o Espírito Santo usa os seres humanos, como o trabalhador que veste sua roupa de trabalho, quando Ele vem reformar a Sua Igreja.É este tipo de trabalhador, homens e mulheres que tenham sido revestidos pelo Espírito Santo, que nós não temos conseguido encontrar hoje. Esta é a mais triste evidência do nosso declínio espiritual.

Nota sobre o Autor: Geofrey Thomas é pastor da Igreja Batista Afred Place emAberystwyth, País de Gales. Ele também trabalha como Editor Assistente da Banner of Truth e do The Evangelical Times.Artigo transcrito do Jornal "Os Puritanos" - Ano II, Nº. 4.

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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O “$HOW” TEM QUE PARAR!



"Porque nada podemos contra a verdade, senão pela verdade.”(2 Co 13.8)
Por Gaspar de Souza


No último dia 25 de setembro de 2010 aconteceu em Recife, no bairro de Boa Viagem, a conhecida “Marcha para Jesus”. Nós, Cristãos Protestantes, estivemos lá. Mas não fomos para dançar, pular, declarar que “Recife é do Sinhor Gezuis”, não fomos “profetizar virado para os edifícios à beira mar”, não fomos “derrubar muralhas” – havia muitas “mulheres evangélicas” vestidas e dançando de tal forma que eram capazes de derrubar muitos...hehehe... misericórdia – não fomos “marchar para o Gezuis” da Marcha. Não! Fomos para um protesto, tal como nos declaramos: fomos ser protestantes.

Seguindo o exemplo do movimento “Marcha Pela Ética Evangélica Brasileira – O $how tem que
 parar!”, que começou em São Paulo com os irmãos Paulo e Vera Siqueira, uma turma composta por dez jovens (eu não tão jovem assim, não é?) foi às ruas de Recife portanto faixas e camisas contendo versos bíblicos (1 Tm 6. 3 – 10; 2 Pe 2.3a) e o dizer “Voltemos ao Evangelho Puro e Simples. O $how tem que Parar!”.

Nos encontramos na Igreja Presbiteriana dos Guararapes, pastoreada pelo 
Rev. Gaspar de Souza (eu de chapéu) e, de lá, seguimos até o centro da passeata. Estávamos apreensivos ao que poderia acontecer. E, defato, aconteceram algumas coisas. Ficamos pouco mais de 200 metros do primeiro trio-elétrico. Ali mesmo abrimos as faixas, o que logo chamou a atenção de muitos. Procuramos ficar próximos para evitar algum atrito e isolamento do pequeno grupo.

Qual não foi a nossa surpresa ao encontrarmos manifestação de apoio, como o rapaz aí no vídeo que disse que encomendou a camisa, mas ainda não havia chegado. Outras manifestações foram altamente positivas, como a do irmão de Guiné-Bissau aí no vídeo, que indignado chamou o evento de “pura babilônia”.

Claro que nem tudo são flores. Uma senhora, vestindo camisa da “Marcha”, ameaçava-nos 
processar porque estávamos filmando o evento. Outros nos mandaram “evangelizar os gays, na parada gay”. Em toda ocasião procuramos ficar calados e não responder às provocações. Apenas quando alguém nos perguntava o motivo do protesto, respondíamos e filmávamos. Em outra ocasião, os “abre-alas ou porta-bandeiras” da Marcha pararam em frente às faixas, talvez tentando barrar a massa ignara da leitura dos textos. Outro episódio foi de uma mãe que, ao ver o filhote fotografando uma das faixas, perguntou ao moleque: “é isso que você quer pra você? Eu não quero isso não!”. Parece-nos que a faixa era a que dizia: “voltemos ao Evangelho Puro e Simples!”

O que presenciamos foi um show de horrores, um babilonismo; assemelhava-se às saturnálias romanas; era uma evento dionisíaco, sem a embriaguez e as orgias explícitas, mas com as “dancinhas sensuais” embaladas pelo “timbalada gospel” do “expresso suingueira” e “expresso louvadeira”. Tinha mãozinha aos altos, os “sai do chão”, as “reboladas gospel”, “trenzinho gospel”, “mãozinhas gospel nos joelhos gospel”. Até um boneco (parecido com os da “turminha da graça” do R.R. Soares) distribuía – no Recife a gente diz que estava “fazendo bamburim” – pacotinhos de biscoitos para os “miseráveis da fé”. Lembrei-me do “pão e circo”.
Enquanto isso, um “abre-alas” chegou a ler uma de nossas faixas. Um momento cômico foi quando a chuva começou a cair. Os “poderosos da fé” levantaram as mãos aos céus e começaram a repreender a chuva! Putz! E o pior! Pareceu-nos que eles não tinham tanta fé assim, pois começaram a cobrir os trio-elétricos com os toldos...kkkkkk. Os caras nem perceberam a contradição entre o que estavam fazendo e o que estavam dizendo.

A cada trio, lá estava a multidão pulando, correndo, requebrando, berrando, misturando os comícios políticos – não faltou oportunista na ocasião. Até a Shirley Carvalhaes estava no trio. Como candidata, claro. Bandeiras de apoio a político e partidos; propagandas de aguardentes (Pitú e 51) e alguns “Após Tolos” de plantão.

Ficamos até o último trio, quando a chuva caiu mais fortinha. Os garis da Emlurb (Empresa de Limpeza Urbana) – Prefeitura de Recife – estavam lá para limpar a sujeira. Claro, ao fazerem isto, foram pagos com dinheiro de TODOS os Contribuintes de Recife, quer fosse evangélicos, católicos, ateus, espíritas ou sem religião. Enfim, os “de Gezuis” fazem a “Marcha” da saturnália, e TODOS pagam...

Agradecemos a todos que participaram conosco: Danilo, Teófilo, Tatyana, Ana, Mirian, Davison e as duas meninas (Danilo, por favor, coloque os nomes delas, ok?). A todos que apoiaram este protesto, os nossos agradecimentos. Querendo Deus, no próximo ano estaremos lá novamente. Ainda este ano enfrentaremos outro evento que acontecerá aqui em Recife. Aguardem notícias.

Rogamos a Deus que as suas ovelhas sejam acordadas para o engodo que é a tal Marcha.

Mais Fotos. O vídeo já foi editado. Aguardem para a postagem.



Davison e Taty



Esta senhora nos ameaçava....




Danilo, Rhyane e Teófilo
A marca de uma famosa aguardente aqui na regiãoMarcha e Campanha Política



Indo em direção aos Trios

domingo, 3 de outubro de 2010

MARINA OLIVEIRA FIGEIRA VIDEIRA SILVA

— Caio - 3/10/10; saindo para votar em você!

(Faço das palavras de Caio Fabio as minha palavras)

Amada Marina, Não sei se venceremos com você esta eleição, mas não importa, pois, seja como for, o testemunho da fé da esperança e do amor já venceram em sua e em nossas vidas nesta eleição!Você — diferentemente das Plantas Doces e Nobres do Apólogo de Jotão, no Livro Bíblico dos Juízes de Israel —, por ser filha das dores e gemidos da Floresta, ofereceu-se para dar sua doçura, gosto e azeite a todas as demais árvores da Floresta.É triste ver, todavia, que há muita gente criada no Concreto e no Deserto, e que prefere o reinado do Espinheiro! Até decoram suas casas com espinhos; sim, com cardos e abrolhos!Você, Marina, é simples e ampla: é Marina e é da Floresta; talvez porque nas nossas terras amazônicas os rios sejam verdadeiros mares.O Lula é do Mar, mas o Mar é maior do que Lulas! Marina da Floresta; Marina Oliveira [azeite] Videira [vinho novo] Figueira [doçura] Silva [do Brasil]; Marina dos Rios Mares; saiba: que os céus permitam que seja agora[...], mas se não for já, todavia, logo chegará a hora em que as lulas saberão que não é o mar que precisa da lula, mas a lula do Mar.Vou sair para votar em você! Pela primeira vez em 56 anos de vida votarei com alegria, certeza, consciência do melhor e toda a esperança de que algo bom e novo aconteça!Seja como for, amiga e irmã Marina, você já se tornou para o imaginário nacional a Marina Gandhi do Brasil! Que o Sen hor de todos os homens honre a sua vida; e que você nunca seja enganada por nenhum ardil do mal! Marina, nós todos, os que amamos o Evangelho, nos sentimos honrados no Senhor por podermos ainda ver que o bem pode existir na Política.

Nele, que amou você, Marina, e a deu como Graça a muitos nestes dias,

Caio 3 de outubr o de 2010 Lago Nort BrasíliaDF

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sábado, 25 de setembro de 2010

O Novo calvinismo ["Nuevo Calvinismo"] - Revista Times


A revista time Publicou Uma reportagem falando acerca das 10 idéias que estão mudando a realidade norte americana hoje. Em terceiro lugar da lista, se faz referência ao novo calvinismo.Não é tão freqüente, um jornalista compreender e falar sobre coisas espirituais, mas David Van Biema Afirma que o calvinismo voltou, e não como um movimento que só produz musica, se não que ele tem tocado vidas de muitos, oferecendo uma perspectiva BíblicaO calvinismo, o primo do luteranismo, é um dos pilares da reforma protestante. È um sistema teológico cristão e uma atitude para uma vida Cristã, que põe ênfase na autoridade de Deus sobre todas as coisas

Segundo o jornalista neo-calvinismo, os ministros não trabalham da mesma forma que Rick Warren., dou como exemplo as colunas Ted Olsen, editor do Christianity Today que menciona John Piper se referindo a ele, como um pioneiro neste movimento neocalvinista, como o toque característico de Mark Driscoll e a elegância distinta de Albert MOHLER. Além disso, afirma que o estilo é o que dá mais sabor, é a bíblia de estudo ESV que já se esgotou rapidamente em sua primeira edição.


Collin Hansen falou dizendo que "Muitos jovens de hoje tem crescido em uma cultura de desigualdade, o divórcio, drogas e a tentação da sexualidade. Eles têm um monte de amigos, mas em verdade, aquilo que realmente mais se precisa é um Deus."


Para ler a matéria podem acessar o seguinte link


http://www.time.com/time/specials/ http://www.time.com/time/specials/


A abordagem calvinista a fé sempre foi pesado em conteúdo. Tal como em gerações passadas, a saída de material do novo movimento calvinista é prolífica. A Internet tem proporcionado um ambiente perfeito, com oportunidades sem paralelo para eles para transmitir sua mensagem. Aqui estão algumas das vozes principais, além de Piper:





Dr. Ligon Duncan, a professor at RTS Jackson, discusses the reformed theology aspect of Reformed Theological Seminary.


Tim, informando a Reforma


Justin Taylor, entre dois mundos

Kevin DeYoung, DeYoung, inquieto, e reformada

CHMahaney, Sovereign Grace Ministries

PHJohnson e "TeamPyro", Pyromaniacs

Al Mohler, AlbertMohler.com

MADever e outros, 9Marks.org

RC Sproul, Ministérios Ligonier

Mark Driscoll, Mars Hill Blog

John MacArthur Grace, para você

Rev. Eric Costa e outros, a Teologia da Reforma

Monergism.com Monergism.com

Founders Ministries (SBC) Founders Ministries (SBC)


Encorajo-vos a verificar esses sites, especialmente se você não estiver familiarizado com o novo calvinismo e sua voz forte na web.Então, fique à vontade para voltar, apresentar as suas observações e discutir o que você pensa com os outros.Para melhor apresentar a nossa semana este assunto, aqui está um pequeno vídeo explicando o distintivas da teologia reformada do Reformed Theological Seminary (RTS) . It features Ligon Duncan Possui Ligon Duncan , teólogo professor, escritor e ministro da Igreja Presbiteriana na América (PCA) . Ele é atualmente o pastor sênior da Primeira Igreja Presbiteriana histórico, Jackson, Mississippi


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