sábado, 11 de fevereiro de 2012

Ministério como ocupação






Os presbíteros que lideram bem a igreja são dignos de dupla honrab, especialmente aqueles cujo trabalho é a pregação e o ensino, pois a Escritura diz: “Não amordace o boi enquanto está debulhando o cereal”, e “o trabalhador merece o seu salário”. (1 Timóteo 5.17-18)


A Escritura define o ministério do evangelho como trabalho, e o pregador como um trabalhador. Referindo-se ao ministério dos seus discípulos, Jesus diz em Mateus 10, “o trabalhador é digno do seu sustento”, e em Lucas 10, “o trabalhador merece o seu salário”. Paulo ecoa essa forma de pensamento em nossa passagem. E quando ele escreve sobre esse assunto numa carta aos coríntios, ele ilustra esse ponto comparando o ministro com alguém que “serve como um soldado”, ou que “planta uma vinha”, ou que “cuisa de um rebanho”, ou que “ara” ou “trilha”. Ele até usa a imagem de um sacerdote que recebe alimento do altar (1 Coríntios 9). Em outras palavras, o ministério é uma ocupação em seu próprio direito, e deve ser considerado como tal em qualquer discussão sobre ministério e salário. Alguém que trabalha no ministério, a despeito de como ele é visto pelo Estado ou pela igreja, é uma pessoa empregada.


Visto que o ministro é uma ocupação, o ministério deve ser pago pelo seu trabalho. As mesmas passagens que definem o ministério como trabalho, como uma ocupação, também associam inseparavelmente esse fato com o direito do ministério receber hospitalidade, abrigo e salário. Paulo é explícito sobre isso: “Da mesma forma, o Senhor ordenou àqueles que pregam o evangelho, que vivam do evangelho” (1 Coríntios 9.14). Assim como um contador ganha a sua vida fazendo contabilidade, ou um cozinheiro preparando alimentos, um ministério ganha igualmente a sua vida realizar o trabalho do ministério, especialmente a pregação. Visto que o ministério é uma ocupação, o dinheiro pago ao ministro deve ser considerado um salário.


Por definição, um salário é algo devido, e não voluntariamente doado. Não é caridade. Visto que o dinheiro pago ao ministro é um salário, isso significa que é algo devido àquele que trabalha por aqueles que recebem o benefício do trabalho. Em sua carta aos coríntios, Paulo refere-se ao direito do pregador receber compensação material por seu trabalho. A partir da perspetiva do ministro, isso é um direito. A partir da perspectiva daqueles que se beneficiam de seu ministério, isso é uma dívida.


Embora o princípio bíblico que um trabalhador merece seu salário se aplique a todas as ocupações legítimas, há uma diferença quando diz respeito ao ministério. Fora do ministério, esse princípio é implementado por acordo humano. Se alguém que recebe o benefício do trabalho nunca concordou em assalariar um trabalhador ou pagá-lo, então o trabalhador não pode gerar tal dívida realizando o trabalho. Em contraste, a dívida devida a um ministro não surge por acordo humano, mas por um mandamento divino que o transcende. Quando Jesus envia seus discípulos para pregar, e quando Paulo pregou o evangelho às pessoas, aqueles que receberam o benefício do seu ministério nunca entraram em acordo de antemão para pagá-los por seu trabalho. De fato, seria impossível assegurar um acordo humano para salário daqueles a quem eles planejavam evangelizar antes de evangelizá-los. A dívida era gerada unicamente por causa da obra feita em benefício deles. Portanto, o ministro não tem apenas uma reivindicação à salário igual a de trabalhadores em outras ocupações, mas uma reivindicação superior.


Visto que um salário é devido ao pastor, aqueles que falham ou recusam em pagá-lo são ladrões e assaltantes, defraudadores, opressores e pecadores. A maldição de Deus está sobre eles. Como Tiago escreve: “Vejam, o salário dos trabalhadores que ceifaram os seus campos, e que vocês retiveram com fraude, está clamando contra vocês” (Tg 5.4). O dinheiro que você economiza negligenciado pagar o pregador testifica contra você, e clama seu pecado ao Senhor dia e noite. O ministro pode ter que arrumar outro emprego fora do ministério por causa de sua avareza e opressão – cada polegada do esforço dele, cada gota de suor, cada suspiro é um testemunho da sua culpa. O Senhor conta contra você cada lágrima que a esposa dele verte. Ele te amaldiçoa por cada pontada de fome que os filhos dele sente. É uma coisa ímpia que você faz, e o Senhor promete puni-lo por causa de sua crueldade e dureza de coração. Ainda maior é a sua condenação se você advoga a doutrina que um pregador deveria sempre trabalhar sem remuneração.


Algumas vezes membros de igreja cobiçosos e líderes hipócritas apoderam-se do exemplo de Paulo, pelo fato dele ministrar sem remuneração. Contudo, qualquer leitor com uma competência mínima deveria perceber que essa é uma exceção evidente que prova a regra. Primeiro, ele explicou aos coríntios que sua política de pregação sem remuneração era a renúncia de um direito. Isto é, ele tinha o direito de receber pagamento, mas não exerceu esse direito. Se era um direito que ele não exerceu, então era um direito que ele poderia ter exercido. Dessa forma, os coríntios de fato deviam a ele, mas ele perdoou a dívida. Segundo, se era seu direito receber o pagamento, então ele era o único que poderia recusar o pagamento. Os coríntios não tinham o direito privá-lo do pagamento. Terceiro, ele disse que “os irmãos do Senhor e Pedro” (1Co 9.6) exerciam esse direito. A exceção não foi universalmente praticada nem mesmo entre os apóstolos. Quarto, essa política de recusar pagamento estava em vigor só com respeito a certas congregações. Por exemplo, ele aceitou dinheiro dos filipenses, e a linguagem em sua carta para eles indica que ele fez isso pelo menos duas vezes, visto que ali diz que eles enviaram-lhe ajuda “não apenas uma vez, mas duas”.


Quinto, ele deixou claro as suas razões para declinar o pagamento dos coríntios e de certas outras congregações. Quando as razões não se aplicavam, então as exceções não se aplicavam. Ele disse que não exercia seus direitos quando exercitá-los impedisse o evangelho. E as razões que poderiam ter impedir o evangelho seriam imaturidade, má atitude ou falta de discernimento deles. Talvez havia alguns que tinham suspeitas de seus motivos. Isso teria distraído-os de ouvir a mensagem do evangelho. Ou, talvez alguns teriam tentado colocar Paulo sob seu controle se ele tivesse aceitado pagamento deles. Em contraste, os filipenses se consideravam cooperadores com Paulo na disseminação do evangelho, enviando repetidamente dinheiro e suprimentos para ele. Eles tinham um entendimento correto da natureza do trabalho e da relação deles com o pregador. Ao que tudo indica, Paulo não aceitou pagamento de algumas pessoas porque ele as considerava incrédulas ou crentes que sofriam de desenvolvimento retardado. De fato, o ministério de Paulo a eles era um caso de caridade. Você não pede que pessoas retardadas lhe pagem – se possível, você ajudá-las-a sem remuneração.


É verdade que Jesus disse aos discípulos: “Vocês receberam de graça; deem também de graça” (Lucas 10.8). Contudo, imediatamente após isso, ele lhes diz para não trazer nenhum dinheiro ou suprimento extra, pois “o trabalhador é digno do seu sustento”. A declaração diz respeito a


como eles deveriam dispensar a mensagem e os poderes do evangelho, e não se eles poderiam aceitar ou não sustento material das pessoas. Isto é, Jesus instruiu-os a realizar o seu ministério “de graça”, mas ao mesmo tempo esperava que todas as suas necessidades fossem supridas pelas pessoas que receberiam o benefício de sua obra. Seu propósito não era dizer que os discípulos deveriam recusar hospitalidade e pagamento, mas que eles não deveriam exigir compensação para cada unidade de trabalho feito ou cada instância de ministério.


Trata-se de uma prescrição de como uma pessoa deveria abordar a obra do ministério. A declaração, “vocês receberam de graça; deem também de graça”, foi feita logo após a comissão para pregar, curar, e expulsar demônios, e novamente, logo antes da instrução para esperar que aqueles que receberiam o ministério pagassem tudo. Em outras palavras, Pedro não poderia dizer a alguém que tinha um demônio: “Eu recebi o poder de Cristo para expulsar esse demônio, mas você deve me pagar essa quantia de dinheiro, ou não irei fazê-lo”. Não, ele devia expulsar o demônio sem cobrar nada, mas após isso, a pessoa que tinha sido liberta estava moralmente obrigada a compensar Pedro por seu trabalho. Ao agir assim, ele não estaria apenas sustentando Pedro, mas testificaria por sua ação que endossava o evangelho de Jesus Cristo.


Suponha que alguém chegue até mim e diga: “Que devo fazer para ser salvo?”. Eu não devo responder: “Eu sei como você pode ser salvo. Pague-me essa quantia de dinheiro e eu lhe direi, mas se você não me pagar, vou deixar você ir para o inferno”. Não, eu devo pregar o evangelho a essa pessoa de graça, sem consideração quanto a se posso obter alguma recompensa material. Minha responsabilidade é ensinar-lhe a verdade, e fazê-lo sem favoritismo, não retendo nada. Sua responsabilidade é me reconhecer como um mensageiro de Deus que lhe traz boas novas que podem salvar sua alma, e então me oferecer sustento material. Como Paulo escreve: “Se entre vocês semeamos coisas espirituais, seria demais colhermos de vocês coisas materiais?” e “O que está sendo instruído na palavra partilhe todas as coisas boas com aquele que o instrui.” (2Co 9.11; Gl 6.6). Quer ele faça a sua parte ou não, eu farei a minha. Se ele é retardado, então eu abrirei mão dos meus direitos em prol do evangelho. Todavia, isso não o livra de sua responsabilidade perante Deus.


Claramente, tudo isso significa que é possível defraudar o ministro do seu justo salário, e isso é frequentemente o que acontece. Mas Deus é fiel. Ele suprirá todas as nossas necessidades de acordo com as suas riquezas gloriosas em Cristo Jesus. Ele vindicará os seus servos, e amaldiçoará aqueles que lhes roubam e oprimem. Portanto, pague os seus ministros. Se eles realizam bem o seu trabalho, pague-os bem, especialmente se trabalharem duro na pregação e no ensino.


Àqueles que trabalham no ministério, vocês não deveriam sentir nenhuma vergonha de receber sustento da parte dos fiéis. Se possível, a quantidade de sustento deveria ser suficiente para sustentar toda a sua família e ministério. Por mandamento de Deus, esse é o seu direito e essa é a obrigação deles. Ao ganhar a sua vida da obra do evangelho, pelo menos tanto quanto possível, vocês estão seguindo o exemplo de todos os apóstolos, incluindo Paulo, e também do Senhor Jesus, que de acordo com Lucas, recebia sustento de um grupo de mulheres. A quantidade de dinheiro envolvida deve ter sido considerável, visto ter sido suficiente para sustentar a vida e as despesas de viagem de pelo menos treze pessoas (Lucas


8.3). Isso não significa necessariamente que todo o dinheiro deles procedesse dessas mulheres, mas o ponto é que eles aceitaram doações de auxiliadores, e que pegaram o suficiente para satisfazer as necessidades de mais de doze homens. De fato, eles tinham quantia suficiente para tornar necessário uma bolsa de dinheiro (João 12.6), e suficiente para dar um pouco aos pobres (parece que os discípulos consideravam isso como rotina; João 13.29), e até mesmo o suficiente para Judas roubar dela sem ser descoberto por alguém (pelo menos a princípio, visto que parece razoável assumir que os outros discípulos teriam reagido se tivessem conhecimento; João 12.6), exceto o Senhor, que conhecia sua verdadeira natureza desde o princípio (João 6.64, 70).


Fonte: Reflections on First Timothy


Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto


domingo, 15 de janeiro de 2012

Uma Advertência


Por Charles Spurgeon

‘‘Vocês têm ouvido muitos sermões arminianos, eu ouso dizer, mas nunca ouviram uma oração arminiana... Um arminiano de joelhos orará desespe­rada­mente como um calvinista. Ele não pode orar a respeito do livre-arbítrio; não há lugar para isso. Imagine-o orando: ‘‘Senhor, eu te agradeço que não sou como esses pobres calvinistas presunçosos. Senhor, eu nasci com um glorioso livre-arbítrio; eu nasci com poder pelo qual posso me voltar para Ti por conta pró­pria; tenho melhorado minha graça. Se todos tivessem feito o mesmo que eu fiz com a tua graça, poderiam to­dos ser salvos. Senhor, eu sei que Tu não nos fazes espiritualmente propen­sos, se nós mesmos não quisermos. Tu dás graça a todos; alguns não a melhoram, mas eu sim. Haverá muitos que irão para o inferno, tantos quantos foram comprados pelo sangue de Cristo, como eu fui; eles tiveram uma boa chance, e foram tão abençoados como eu sou. Não foi a tua graça que nos diferenciou; eu sei que ela fez muito, mas eu cheguei ao ponto desejado; eu usei o que me foi dado e os outros não — essa é a dife­rença entre eu e eles’’.[1]

Pecador, inconverso pecador, eu te advirto que jamais poderás tu mesmo fazer com que nasças de novo; e embora o novo nascimento seja absolutamente necessário, te é absoluta­mente impossível, a não ser que o Espírito Santo faça isso... Faças o que fizeres, e o melhor que conseguires, ainda assim, há uma diferença, tão grande quanto a eternidade, entre ti e o ho­mem regenerado... O Espírito de Deus precisa fazer-te novo, tu precisas nascer de novo. O mesmo poder que res­susci­tou Jesus Cristo dentre os mortos tem que agir para ressuscitar-nos dos mortos; a mes­ma onipotência, sem a qual anjos e vermes não poderiam ter vindo à exis­tência, precisa se manifestar e realizar uma obra tão grande quanto a que Ele fez na primeira criação, recriando-nos em Cristo Jesus, nosso Senhor. Constantemente a igreja cristã tenta es­quecer isto, mas sempre que esta velha doutrina da regeneração é apresentada clara­mente, Deus se apraz em agraciar a sua igreja com reavivamento... A menos que Deus, o Espírito Santo, que opera em nós tanto o querer como o realizar, opere sobre a vontade e a consciência, a regene­ração é uma absoluta impossibilidade, e assim tam­bém a salvação. “O quê!”, diz alguém, “Você quer dizer que Deus intervém absoluto na sal­vação de cada pessoa para regenerá-lo?”. Sim, eu quero; na salvação de cada pes­soa há um brotar de poder divino, pelo qual o pecador morto é vivificado, o pecador sem von­tade é feito desejoso, o pecador mais duro e desesperado tem sua consciência amolecida; e aquele que rejeita a Deus e despreza a Cristo é feito prostrar-se aos pés de Jesus. Tem que haver uma intervenção divina, uma operação divina, uma influência divi­na, caso contrário, façam o que puderem, sem isso vocês perecerão e estarão conde­nados — “pois, se um homem não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus...” Nunca esqueçamos que a salvação de uma alma é uma obra de criação. Pois bem, ne­nhum homem jamais conseguiu criar um inseto... Deus somente cria... Nenhum poder huma­no ou angelical pode intrometer-se nesta gloriosa província do poder divino. Criação é domínio exclusivo de Deus. E em cada cris­tão há uma absoluta criação — “criados de novo em Cristo Jesus”. “O novo homem, segundo Deus, é criado em reti­dão”. Regeneração não é a reforma de princípios que lá estivessem an­tes, mas a im­plantação de algo que não existia; é a introdução em um homem de algo novo, chama­do Espírito, o novo homem — a criação não de uma alma, mas de um princípio ainda mais elevado — tão mais elevado com relação à alma quanto a alma o é do corpo... No ato de fazer com que qualquer homem creia em Cristo, há uma mani­festação verdadeira e própria de poder criador, assim como houve quando Deus criou os céus e a terra... Apenas Ele, que formou os céus e a terra, poderia criar uma nova natureza. É uma obra sem paralelo, ela é única e incompa­rável, visto que o Pai, o Filho e o Espírito precisam todos cooperar nela; pois, para implantar a nova natureza em um cristão, precisa haver um decreto do Pai eterno, a morte do eternamente Bendito Filho e a plenitude da opera­ção do adorável Espírito. [2]
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[1] Spurgeon, Livre Arbítrio, p.17 (Citado por Paulo Anglada em Calvinismo As Antigas Doutrinas da Graça)
[2] Murray, The Forgotten Spurgeon, pp. 87-89. (Citado por Paulo Anglada em Calvinismo As Antigas Doutrinas da Graça)

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Sobre pastores e presbíteros...


Em Dt. 16 18-22 vemos as instruções para o estabelecimento dos juízes e as suas funções. Também vemos a ligação que há entre o direito e o culto a Deus. Pois na mesma pericope é proibida a construção da Aserá, que segundo os apostatas de Israel seria a mulher de Iahweh.

Paulo em I Coríntios 6 proíbe que os santos tratem questões com ímpios e diz o motivo.

Ora, que seriam os juízes do povo de Deus se não pastores e presbíteros? Não são eles os designados para supervisionarem o povo de Deus?

Entretanto, queria considerar algumas coisas:

1- Será que os futuros pastores estão se preparando e se tornando capazes para julgarem o povo de Deus? Será que os seminários em suas grades têm matérias que tratem o estudo exaustivo da Lei de Deus? Ora, não é justamente a lei de Deus que será a legislação em que irão trabalhar em matéria de julgamentos na casa de Deus? Como poderão arbitrar se não conhecem a Lei? Isto não é uma contradição?

2- Será que presbíteros que são eleitos no meio do povo têm a capacidade de abrir as Escrituras e fazer o julgamento correto, não torcendo o direito?

3- Será que existe o preparo especifico de presbíteros para isto? Muitos acham que ser presbítero é status. Algo que gera o orgulho feminino, pois seu marido é agora presbítero. Os filhos dizem: Meu pai é um presbítero. Entretanto, será que presbítero é um status? Ou será uma função? Ser presbítero é uma vocação que só os santos designados para isto podem ocupar.

A situação é caótica.

As grades curriculares dos seminários não abarcam a necessidade e a demanda que a Igreja de Cristo requer.

Muitos pastores não sabem aplicar a Lei de Deus, muitos acham que ela nem sequer tem mais utilidade para os nossos dias. Então, o que se vê é que a disciplina só se dá por causa de adultério, e até mesmo sobre a questão do adultério, uma imensa maioria não conseguiria discernir bem quando se deu a quebra do sétimo mandamento. Pois rotulam adultério como sendo qualquer relação sexual.

E quanto aos presbíteros, ora, se a situação dos ministros é caótica, imaginem de muitos presbíteros. Infelizmente, muitos são totalmente despreparados, muitos só foram eleitos por terem alguma posse, não possuindo nenhuma vocação para tomar conta do rebanho de Deus.

Creio que já está na hora de vermos as coisas. De levarmos a sério a questão curricular dos seminários. De eliminarmos matérias que não são bobas e que não levam os futuros pastores a lugar nenhum. Precisamos de exegese de forma exaustiva. Precisamos conhecer as Escrituras.

Quando vemos tudo isto, não é de se admirar a situação da igreja.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Liturgia de Tradição Reformada

A LITURGIA REFORMADA

Características
1. Objetividade

No entendimento de Calvino, o culto tem o objetivo principal de glorificar a Deus. Todos os elementos da liturgia — leitura, oração, canto, sacramento, sermão — combinam-se para dar voz a uma grande doxologia oferecida pelo seu povo.

Calvino rejeitou os outros conceitos do culto, correntes em sua época:

a) O da Igreja Medieval, para a qual a liturgia servia como meio de obter graça e perdão. Calvino ensinou que a graça e o perdão já foram alcançados para nós pelo sacrifício de Cristo. A congregação se reúne, não para obter graça , mas para celebrar com gratidão o dom gracioso da salvação, concedido por Deus aos que crêem;

b) O dos Anabatistas, os quais argumentavam que a finalidade do culto é proporcionar ânimo e conforto espiritual ao indivíduo. Calvino contestou esta posição por ser uma inversão do objetivo do culto, centralizando-o nos sentimentos do crente, ao invés de dirigi-los ao criador. O culto reformado não é subjetivo, com ênfase nas emoções religiosas do indivíduo. É a glória de de Deus que buscamos no culto, e esta em primeiro lugar. O nosso próprio benefício espiritual é um dos frutos que resulta da adoração a Deus. A comunidade cristã se reúne para render ao Senhor “a glória devida ao Seu Nome”

2. Ênfase na Palavra do Evangelho

É na Palavra do Evangelho que Deus se revela a seu povo: a) nas leituras das Escrituras Sagradas; b) no sermão; c) na Santa Ceia, em que a mesma Palavra é comunicada por outra maneira.

3. Ênfase no sacramento da Santa Ceia – Calvino insistia em que a santa Ceia devia ser celebrada todos os Domingos – (Institutas, IV, XVII, xliii). João Knox também deu a mesma importância ao Sacramento. A mesa da Ceia era o ponto central no templo (não o púlpito e nem tão pouco um altar), o ministro dirigindo o culto da mesa, subindo para o púlpito apenas para ler as Escrituras e para pregar. Em Genebra , os participantes sentavam-se à volta da mesa para tomar a Ceia do Senhor.

Para Calvino, o ponto culminante da liturgia é o Sacramento.

4. Continuidade com o passado

A liturgia não era uma “reforma” feita na Missa; era o reestabelecimento do culto da Igreja Primitiva, sem as perversões da Idade Média.

O Instrumento com que Calvino contou para efetuar a restauração do culto da Igreja Primitiva foi o Saltério. Nos Estatutos relativos à Organização da Igreja e do Culto em Genebra (1537), Calvino escreveu: “Desejamos que os Salmos sejam cantados na Igreja de acordo com o uso da antiguidade e o testemunho de São Paulo. O canto dos Salmos nos estimula a levantar os nossos corações a Deus”. Juntamente com os Salmos, foram cantados também os credos dos primeiros séculos da Era Cristã, o Decálogo, o Nunc Dimitris e outros hinos do Novo Testamento – todos metrificados. O culto Reformado não era inovação baseada na invenção dos reformadores; tinha profundas raízes no passado nas liturgias do antigo Israel e na Igreja Católica primitiva.

5. Ênfase na participação de todo o povo

Através dos hinos todo o povo de Deus participava na liturgia. Não era um coro de vozes treinadas, que cantava para uma assistência; era a congregação de Jesus Cristo, que cantava para o louvor e a glória de Deus.

6. “Faça-se tudo decentemente e com ordem” (I Coríntios 14:40)

A liberdade dentro dos princípios do Cristianismo Primitivo evitava por um lado, o formalismo de ritos mortos, e portanto, o relaxamento que se observa em muitas igrejas, onde qualquer “salada” seve para o culto e onde não existe qualquer senso de liturgia.

Calvino insistiu em que houvesse liberdade disciplinada, na liturgia do culto.

7. Liturgia em função da Transformação da Igreja e da Sociedade

É importante notar que para Calvino, dar glória a Deus significava muito mais do que entoar louvores no templo aos Domingos. Para ele, significava permitir que o Espírito Santo transformasse a vida individual e coletiva de tal forma que atingisse todos os seus aspectos religiosos, familiares, sociais, políticos, culturais, para se tornarem um grande salmo de louvor a Deus.

Fonte: apostila de palestra sobre Ano Cristão, Liturgia Reformada e Cores Litúrgicas, autor desconhecid

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

A importância de disciplinar os filhos

As conseqüências para os filhos quando os pais são negligentes

Julio Severo
A questão da disciplina dentro da família encontra-se bem tratada na Palavra de Deus. E o Novo Testamento até a utiliza para demonstrar como Deus não age diferente dentro de sua própria família espiritual:
Vocês se esqueceram da palavra de ânimo que ele lhes dirige como a filhos: “Meu filho, não despreze a disciplina do Senhor, nem se magoe com a sua repreensão, pois o Senhor disciplina a quem ama, e castiga todo aquele a quem aceita como filho”. Suportem as dificuldades, recebendo-as como disciplina; Deus os trata como filhos. Ora, qual o filho que não é disciplinado por seu pai? Se vocês não são disciplinados, e a disciplina é para todos os filhos, então vocês não são filhos legítimos, mas sim ilegítimos. Além disso, tínhamos pais humanos que nos disciplinavam, e nós os respeitávamos. Quanto mais devemos submeter-nos ao Pai dos espíritos, para assim vivermos! Nossos pais nos disciplinavam por curto período, segundo lhes parecia melhor; mas Deus nos disciplina para o nosso bem, para que participemos da sua santidade. Nenhuma disciplina parece ser motivo de alegria no momento, mas sim de tristeza. Mais tarde, porém, produz fruto de justiça e paz para aqueles que por ela foram exercitados.(Hebreus 12:5-11 NVI, o destaque é meu.)
Esse simples texto da Bíblia que lida com a questão da repreensão e castigo resume muito bem a essência da disciplina. O texto inteiro foi baseado no seguinte versículo de Provérbios: “Meu filho, não despreze a disciplina do SENHOR nem se magoe com a sua repreensão”. (Provérbios 3:11 NVI) O Novo Testamento fez assim uma referência bem relevante, pois não há livro em toda a Bíblia que contenha mais orientação sobre disciplina de filhos do que Provérbios.

Um pai da Bíblia que corrigia os filhos — só com palavras

Se Provérbios é um livro que explica muito bem o que é a disciplina, então todos os pais mencionados na Palavra de Deus sabiam aplicá-la? Não. Nem todos os pais da Bíblia corrigiam seus filhos. Alguns escolhiam simplesmente a correção verbal, e nada mais. O sacerdote Eli, por exemplo, criou os filhos no sacerdócio e, quando se tornaram homens, eles cometiam freqüentemente pecados contra Deus. Eles estavam até violando os sacrifícios oferecidos a Deus na casa de Deus:
Os filhos do sacerdote Eli não prestavam e não se importavam com Deus, o SENHOR. Eles não obedeciam aos regulamentos a respeito daquilo que os sacerdotes tinham o direito de exigir do povo. Assim os filhos de Eli tratavam com muito desprezo as ofertas trazidas a Deus, o SENHOR. E para o SENHOR o pecado desses moços era muito grave. (1 Samuel 2:12,13a,17 NTLH)
Eli via os pecados de seus filhos e, como todo pai bonzinho, não ficava em silêncio. Ele sempre abria a boca para dar uma bronca neles.
“Eli já estava muito velho. Ele ouvia falar de tudo o que os seus filhos faziam aos israelitas e também que eles estavam tendo relações com as mulheres que trabalhavam na entrada da Tenda Sagrada. Então Eli disse: — Por que é que vocês estão fazendo essas coisas? Todos me falam do mal que vocês estão praticando. Parem com isso, meus filhos! Eu estou ouvindo o povo do SENHOR Deus dizer coisas terríveis a respeito de vocês! Se uma pessoa peca contra outra, o SENHOR pode defendê-la. Mas quem pode defender aquele que peca contra Deus?” (1 Samuel 2:22-24,25a NTLH, o destaque é meu.)
Há pais que se calam diante de pecados horríveis dos próprios filhos, nem ousando mencionar para eles que parem seu comportamento sexual errado, mas essa fraqueza Eli não tinha. Ele apontava os erros no nariz dos filhos. No entanto, a Palavra de Deus revela claramente a reação dos filhos de Eli às repreensões do pai e a reação do Senhor à desobediência e teimosia deles: “Mas eles não ouviram o pai, pois o SENHOR havia resolvido matá-los.” (1 Samuel 2:25b NTLH)

Deus, em seu amor, faz visitações proféticas a Eli

Como sacerdotes do Senhor, tanto Eli quanto seus filhos conheciam muito bem a Palavra de Deus. Mas mesmo assim, os filhos de Eli estavam decididos a desobedecer à Palavra de Deus e ao seu próprio pai, e Eli estava decidido a não disciplinar ninguém — limitando-se no máximo a passar um sermão. Já que todos estavam assim decididos contra as ordens e conselhos da Palavra de Deus, Deus também resolveu decidir: ele decidiu que a solução para os filhos de Eli era a pena de morte.
Apesar de que Eli estava entristecendo muito a Deus pela sua falta de ação, Deus sempre demonstrou misericórdia, na esperança de que Eli pudesse se arrepender e finalmente assumir a postura de um pai que age. Através de mensagens proféticas, Deus deixou bem claro para Eli que ele queria muito mais do que só palavras. Se os filhos teimavam em desobedecer, a obrigação de Eli era, além de repreender, tomar medidas concretas. Foi nesse ponto que Deus mandou um profeta a Eli:
“Então um profeta procurou Eli e lhe deu esta mensagem de Deus, o SENHOR: —Eu me revelei ao seu antepassado Arão quando ele e a sua família eram escravos no Egito. Você sabe que eu os escolhi, entre todas as tribos de Israel, para serem meus sacerdotes, servirem no altar, queimarem incenso e usarem o manto sacerdotal na minha presença. E dei a eles o direito de ficarem com uma parte dos sacrifícios queimados no altar. Por que é que vocês olham com tanta ganância para os sacrifícios e ofertas que eu ordenei que me fossem feitos? Eli, por que você honra os seus filhos mais do que a mim, deixando que eles engordem, comendo a melhor parte de todos os sacrifícios que o meu povo me oferece? Eu, o SENHOR, o Deus de Israel, prometi no passado que a sua família e os seus descendentes me serviriam para sempre como sacerdotes. Mas agora eu digo que isso não vai continuar. Pois respeitarei os que me respeitam, mas desprezarei os que me desprezam. Olhe! Está chegando o tempo em que eu matarei todos os moços da sua família e da família do seu pai para que nenhum homem da sua família chegue a ficar velho. Você passará dificuldades e terá inveja de todas as coisas boas que vou dar ao povo de Israel, mas ninguém da sua família chegará a ficar velho. Deixarei vivo apenas um dos seus descendentes, que será meu sacerdote. Mas ele ficará cego e perderá toda a esperança. E todos os seus outros descendentes morrerão de morte violenta. Hofni e Finéias, os seus dois filhos, morrerão no mesmo dia, e isso será uma prova para você de que o que eu disse é verdade. Escolherei para mim um sacerdote fiel, e ele fará tudo o que eu quero. Darei a ele descendentes que sempre estarão a serviço do rei que eu escolher. E todos os outros descendentes de você que, por acaso, ficarem com vida terão de se curvar diante do rei para pedir dinheiro e comida e implorarão para ajudar os sacerdotes, a fim de terem alguma coisa para comer”. (1 Samuel 2:27-36 NTLH)
Deus já havia decidido que a penalidade para as ofensas que os sacerdotes Hofni e Finéias estavam cometendo era a morte. Mas como Eli não queria cumprir sua responsabilidade como pai e como supremo sacerdote de punir severamente as maldades deles, a maldição e pena de morte que estavam sobre Hofni e Finéias cairiam sobre a família inteira de Eli. Deu até usou o menino Samuel para avisar Eli:
“E o SENHOR disse: — Eu vou fazer com o povo de Israel uma coisa tão terrível, que todos os que ouvirem a respeito disso ficarão apavorados. Naquele dia farei contra Eli tudo o que disse a respeito da família dele, do começo até o fim. Eu lhe disse que ia castigar a sua família para sempre porque os seus filhos disseram coisas más contra mim. Eli sabia que eu ia fazer isso, mas não os fez parar. Por isso, juro à família de Eli que nenhum sacrifício ou oferta poderá apagar o seu terrível pecado.” (1 Samuel 3:11-14 NTLH)
Depois de tal repreensão divina, um homem sábio se prostraria diante de Deus, agradeceria sua visitação sobrenatural, pediria perdão e se comprometeria diante do Senhor a agir de acordo com a Palavra de Deus, castigando quem merecia ser castigado, mesmo que envolvesse um castigo de pena capital. Mas qual foi a reação de Eli quando Samuel lhe entregou o recado profético?
“Então Samuel contou tudo, sem esconder nada. E Eli disse: — Ele é Deus, o SENHOR. Que ele faça tudo o que achar melhor!” (1 Samuel 3:18 NTLH)
Em outras palavras, Eli quis dizer: “Se Deus quiser agir e fazer o que eu mesmo não estou fazendo, ele pode fazer o que ele quiser, mas eu não vou agir. Que Deus aja sozinho”. Como se diz, ele tirou o corpo fora — não aceitando a chance de colaborar com Deus na ordem da família de Deus e na própria família dele! Ele queria simplesmente continuar tratando seus filhos adultos do mesmo jeito que ele vinha tratando-os desde a infância: sem lhes ministrar castigo físico.

Conseqüências da negligência de um pai

Eli evitou sua responsabilidade de castigar, e as maldições sobre Hofni e Finéias se cumpriram, atingindo muito mais do que suas próprias vidas — afetando a nação inteira de Israel. Quando Israel enfrentou seus terríveis inimigos filiteus em batalha — sob a liderança “espiritual” de Hofni e Finéias —, houve grande derrota. Os israelitas descobriram, da pior forma, que estavam sem proteção espiritual:
“ — O povo de Israel fugiu dos filisteus! — respondeu o mensageiro. — Foi uma terrível derrota para nós. Além de tudo, os seus filhos Hofni e Finéias foram mortos, e os filisteus tomaram a arca da aliança. Quando ouviu falar na arca, Eli caiu da cadeira para trás, perto do portão da cidade. Ele estava muito velho e gordo. Por isso, quando caiu, quebrou o pescoço e morreu. Eli foi o líder do povo de Israel quarenta anos.” (1 Samuel 4:17-18 NTLH)
Eli não se preocupou muito com a morte dos filhos, pois ele já sabia que não havia outro destino para eles. Ele se preocupou mais com o destino da arca. Contudo, se ele tivesse agido energicamente, sua família não receberia maldição nem a arca seria tomada.
Poucos anos depois, praticamente toda a família sacerdotal de Eli foi brutalmente assassinada pelo rei Saul (cf. 1 Samuel 22), cumprindo-se assim a palavra profética dirigida a Eli: “E todos os seus outros descendentes morrerão de morte violenta”. (1 Samuel 2:33b). A teimosia de um pai em não punir a teimosia e maldade dos próprios filhos removeu a segurança espiritual que poderia proteger os netos, bisnetos e outros familiares de Eli contra a fúria cega e assassina de Saul anos depois.
O profeta Samuel, em sua infância e juventude, viu tudo o que aconteceu com Eli e seus filhos. Ele viveu no ambiente sacerdotal de Eli, mas a diferença é que Samuel não era filho de Eli.
Ana, uma esposa israelita estéril, havia orado muito a Deus pedindo um filho. Deus respondeu dando-lhe a bênção de conceber Samuel em seu ventre. Depois do nascimento de Samuel, Ana o levou à casa de Deus — onde Eli ocupava a função de supremo sacerdote — e o entregou e consagrou ao serviço de Deus, separando-se fisicamente dele. (Veja 1 Samuel 1)
Do ponto de vista humano, o menino Samuel corria o risco de sofrer o mesmo tipo de deficiência educativa que Eli havia dado a seus próprios filhos — pois os filhos de Eli não sabiam o que era castigo físico. Do ponto de vista divino, tudo o que Ana e seu marido não podiam fazer por seu filho Samuel, Deus daria. Aliás, Deus soberanamente preencheu com sua maravilhosa graça toda a deficiência e má influência de Eli na criação e educação de Samuel.

A graça de Deus não é automática

Mesmo sendo criado sem nenhum castigo físico, Samuel milagrosamente não se tornou o tipo de adulto que eram os filhos de Eli. Samuel viu que a graça de Deus que estava sobre ele o tinha livrado de toda contaminação e dano. Daí ele pode ter concluído que é possível educar crianças sem a aplicação da disciplina física. Sem dúvida alguma, a falta de dano foi obra exclusiva da graça de Deus, porém Samuel pode bem ter pensado que ele poderia “sustentar” essa obra em sua família, sem jamais precisar recorrer a uma surra. A Palavra de Deus fala muito sobre Samuel e sua integridade, mas não fala muito sobre seus filhos, e o pouco que fala revela que eles não herdaram a integridade do pai. Tudo o que a Palavra de Deus diz sobre os filhos de Samuel é:
“Quando envelheceu, Samuel nomeou seus filhos como líderes de Israel. Seu filho mais velho chamava-se Joel e o segundo, Abias. Eles eram líderes em Berseba. Mas os filhos dele não andaram em seus caminhos. Eles se tornaram gananciosos, aceitavam suborno e pervertiam a justiça”. (1 Samuel 8:1-3 NVI)
Samuel só tinha dois filhos, e eles eram corruptos — provavelmente porque o pai lhes deu a mesma educação (humanamente deficiente) que recebeu. A graça de Deus que trabalhou na vida de Samuel — sem a necessidade do uso da disciplina física — não trabalhou na vida de seus filhos. A graça de Deus não é uma bênção que nós escolhemos, nem é automática. Deus é que soberanamente escolhe e dá.
Samuel deve ter agido como sua mãe Ana, entregando seus filhos para a graça de Deus, achando que somente isso bastava. O que ele fez não é errado, mas as situações eram distintas. Na criação de Samuel, não havia um pai para discipliná-lo. Na criação dos filhos de Samuel, havia um pai para discipliná-los, porém esse pai tentou um caminho de fé que acabou não funcionando. Seu exemplo serve de lição para nós hoje. Os pais podem e devem entregar seus filhos a Deus e depender da graça de Deus, mas jamais podem deixar de cumprir os mandamentos específicos de Deus sobre educação e correção de filhos. Usar a graça de Deus como desculpa para evitar a responsabilidade da disciplina física é dar um salto no escuro — arriscando mandar os filhos para o mesmo destino e abismo de corrupção dos filhos de Samuel!
O mesmo Deus que em situações especiais concede soberanamente sua graça também orienta o seu povo sobre o método divino de castigo físico para a educação das crianças. A graça de Deus pode agir em situações em que a criança por um motivo ou outro não recebe castigo físico, principalmente na ausência dos pais, mas é arriscado e errado fechar deliberadamente os ouvidos para as orientações de Provérbios e “deixar para a graça de Deus” um trabalho e responsabilidade que Deus deu diretamente aos pais. Deus pode trabalhar quando os pais não estão presentes, exatamente como aconteceu na infância de Samuel, mas quando os pais estão presentes, eles devem agir conforme já está bem claro na Palavra de Deus.
Enquanto formos seres humanos, temos necessidades humanas. Uma dessas necessidades é disciplina, correção e castigo, que fazem parte tanto da família natural quanto da família espiritual. Para ajudar os pais na importante e difícil tarefa da disciplina, Deus nos deixou o Livro de Provérbios, que contém muitas passagens sobre o assunto.

O que a sabedoria de Deus ensinou a Salomão

O Livro de Provérbios na Bíblia foi, em grande parte, escrito por Salomão, filho de Davi. Sendo então o autor principal de Provérbios, como foi então que Salomão conseguiu escrever tanto sobre disciplina física de crianças? Foi por causa do exemplo de seu pai? Foi com o que aprendeu em seu lar na infância?
Salomão não aprendeu princípios de disciplina por experiência própria nem com o que via ao seu redor, pois no próprio lar em que cresceu ele nunca levou uma surra corretiva do pai. Por algum motivo, Davi nunca corrigia a teimosia e desobediência de seus filhos. Ele falhou nessa área. Ele foi um homem justo em muitas áreas, porém a Palavra de Deus mostra seu fracasso no desempenho de seu papel como pai. Quando seu filho Amnom estuprou a própria irmã, a maioria das versões bíblicas se limita a dizer que Davi ficou furioso quando soube da violência sexual, porém a Septuaginta revela muito mais:
“Quando soube disso, o Rei Davi ficou muito irado. Mas Davi não castigou seu filho Amnom. Ele favorecia Amnom porque ele era seu filho mais velho”. (2 Samuel 13:21 GW)
“Quando soube do que havia acontecido com Tamar, Davi ficou muito irado. Mas Amnom era seu filho mais velho e também o seu favorito, e Davi não queria fazer nada que deixasse Amnom infeliz”. (2 Samuel 13:21 CEV)
Outra passagem da Bíblia revela como Davi agia com seu filho Adonias:
Ora, toda a sua vida seu pai nunca havia sido contra ele ou lhe dito, Por que é que você fez isso? (1 Reis 1:6a BBE)
Mas seu pai nunca, nem uma só vez, o repreendeu dizendo: “Por que você agiu desse jeito?” (1 Reis 1:6a HCSB)
Seu pai o estragou na infância, jamais lhe dando, nem uma só vez, uma bronca. (1 Reis 1:6a MSG)
Talvez Davi não tenha sofrido castigos divinos tão fortes quanto os castigos que Eli recebeu porque Davi estava casado com várias mulheres e não tinha, como rei, tempo para administrar sua imensa família. Tal fraqueza pode não lhe ter custado as maldições que Eli colheu, porém não o livrou de problemas sérios com seus filhos. Seu filho Absalão, que nunca apanhou, tomou o seu trono e quase o matou, agindo com extrema violência, estuprando as concubinas do próprio pai! O caso de Absalão mostra o engano dos que acreditam que só as crianças criadas com disciplina se tornam violentas. O oposto foi verdade no caso de Absalão. Seu irmão Amnom, criado sem nunca levar uma surra, cometeu um ato violento, estuprando a própria irmã!
A chave então para não sofrer problemas semelhantes na família não é seguir a moda de hoje de evitar a disciplina física, mas adotar uma postura equilibrada: uma criança criada de modo violento ou sem castigo físico pode acabar cometendo violências, mas uma criança criada com o uso sábio da disciplina física terá muito mais chance de levar uma vida marcada por um comportamento bom e correto.
Passando toda a sua infância no lar de Davi, vendo Amnom, Absalão e Adonias em seus maus comportamentos, Salomão sabia o que era a falta de disciplina por experiência própria. Aliás, ele sofreu na própria pele as conseqüências da falta de disciplina do lar de seu pai, pois seu mimado irmão Adonias tentou tomar o governo das mãos de Salomão, e papai Davi não fez nada. O mimado Adonias estava disposto a matar Salomão para ficar com o trono.
Salomão também conhecia o caso trágico de Eli, através do que seu pai Davi lhe contava. Davi soube dos problemas internos da família de Eli através do próprio profeta Samuel, que era seu amigo. Assim, através de Davi Salomão conhecia até a situação dos filhos de Samuel.
Talvez seu pai Davi não tenha se importado muito com a falta de castigo físico com que Eli, Samuel e ele mesmo criaram seus filhos porque aquelas gerações de modo geral não educavam crianças de outro jeito. Pelo fato de que grandes líderes espirituais daquela época como Eli, Samuel e Davi não viam nada de errado com a falta de disciplina física na educação de filhos, é bem possível que em Israel a educação sem castigo físico fosse bem mais comum do que se poderia imaginar.
Provavelmente, o próprio Salomão nunca colocou em prática os princípios de disciplina de filhos que ele escreveu em Provérbios quando ele ainda era jovem, muito temente a Deus e não tinha esposa e filhos. Provérbios orienta os homens a ter somente uma esposa[1], porém Salomão teve muitas.[2] Ele desobedeceu.[3] Provérbios é o livro da Bíblia que mais ensina sobre disciplina, porém Roboão, filho de Salomão, seguiu a tradição da família de Davi de filhos mimados e maus.
Mas só porque Salomão não conseguiu obedecer significa que todos os homens de Deus também não conseguirão ter somente uma esposa e educar e corrigir os filhos conforme os excelentes princípios de Provérbios?

O que Deus fala aos pais através de Provérbios

Nas muitas orientações que escreveu sobre correção de filhos, Salomão não foi influenciado por costumes de sua família nem pela cultura ao seu redor. Ele estava sem condições de escrever com base na própria experiência, pois ele e seus irmãos não sabiam o que era receber disciplina do pai. Foi a inspiração direta de Deus que o levou a sustentar a posição não de seu pai nem de sua cultura nem de seu próprio coração, mas de Deus na questão da disciplina física. A sabedoria de Deus o capacitou a entender e ver o que mesmo seu pai e Samuel não viam. Deus, através da sabedoria de Salomão em Provérbios, ensina:
“Aquele que poupa a vara odeia seu filho, mas aquele que o ama tem o cuidado de discipliná-lo”. (Provérbios 13:24 NIV)
“Quem se recusa a surrar seu filho o odeia, mas quem ama seu filho o disciplina desde cedo”. (Provérbios 13:24 GW)
“Aquele que poupa sua vara [de disciplina] odeia seu filho, mas aquele que o ama o disciplina com diligência e o castiga desde cedo”. (Provérbios 13:24 Bíblia Ampliada)
“Os açoites que ferem, purificam o mal; E as feridas alcançam o mais íntimo do corpo.” (Provérbios 20:30 TB)
“Os castigos curam a maldade da gente e melhoram o nosso caráter.” (Provérbios 20:30 NTLH)
“Os golpes e os ferimentos eliminam o mal; os açoites limpam as profundezas do ser”. (Provérbios 20:30 NVI)
“É natural que as crianças façam tolices, mas a correção as ensinará a se comportarem.” (Provérbios 22:15 NTLH)
“A estultícia está ligada ao coração do menino, mas a vara da correção a afugentará dele.” (Provérbios 22:15 RC)
“A insensatez está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a livrará dela”. (Provérbios 22:15 NVI)
“Todas as crianças são sem juízo, mas correção firme as fará mudar”. (Provérbios 22:15 CEV)
“A crianças por natureza fazem coisas tolas e indiscretas, mas uma boa surra as ensinará como se comportar”. (Provérbios 22:15 GNB)
“Não retires a disciplina da criança, porque, fustigando-a com a vara, nem por isso morrerá. Tu a fustigarás com a vara e livrarás a sua alma do inferno.” (Provérbios 23:13-14 RC)
“Não evite disciplinar a criança; se você a bater nela e castigá-la com a vara [fina], ela não morrerá. Você a surrará com a vara e livrará a alma dela do Sheol (Hades, o lugar dos mortos)”. (Provérbios 23:13-14 Bíblia Ampliada)
“Não retires da criança a disciplina, pois, se a fustigares com a vara, não morrerá. Tu a fustigarás com a vara e livrarás a sua alma do inferno”. (Provérbios 23:13-14 RA)
“Não deixe de corrigir a criança. Umas palmadas não a matarão. Para dizer a verdade, poderão até livrá-la da morte”. (Provérbios 23:13-14 NTLH)
“Não evite disciplinar a criança; se você a castigar com a vara, ela não morrerá. Castigue-a, você mesmo, com a vara, e assim a livrará da sepultura”. (Provérbios 23:13-14 NVI)
“É bom corrigir e disciplinar a criança. Quando todas as suas vontades são feitas, ela acaba fazendo a sua mãe passar vergonha”. (Provérbios 29:15 NTLH)
“A vara e a disciplina dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe”. (Provérbios 29:15 RA)
“A vara e a repreensão dão sabedoria, mas o rapaz entregue a si mesmo envergonha a sua mãe”. (Provérbios 29:15 RC)
“Uma surra e um aviso produzem sabedoria, mas uma criança sem disciplina envergonha sua mãe”. (Provérbios 29:15 GW)
Contudo, embora favoreça surras com vara, a Palavra de Deus não apóia o excesso e a violência:
“Corrija os seus filhos enquanto eles têm idade para aprender; mas não os mate de pancadas”. (Provérbios 19:18 NTLH)
“Castiga teu filho enquanto há esperança, mas para o matar não alçarás a tua alma”. (Provérbios 19:18 RC)
“Castiga a teu filho, enquanto há esperança, mas não te excedas a ponto de matá-lo”. (Provérbios 19:18 RA)
“Corrija seus filhos antes que seja tarde demais; se você não castigá-los, você os está destruindo”. (Provérbios 19:18 CEV)
“Discipline seus filhos enquanto você ainda tem a chance; ceder aos desejos deles os destrói”. (Provérbios 19:18 MSG)
Portanto, a Palavra de Deus não aceita nenhum tipo de excesso — nem falta de disciplina, nem surras violentas que colocam a vida da criança em risco.
A falta de disciplina pode representar derrota em muitas áreas para pais cristãos negligentes, que abrem a boca para repreender e mais nada. Embora os meios de comunicação freqüente e insistentemente destaquem os abusos de pais que utilizam a violência no lugar da disciplina, não há espaço igual para alertar o público sobre os perigos da falta de disciplina. Aliás, a elite liberal e esquerdista — dona dos meios de comunicação — escolheu o radicalismo no lugar do bom senso, preferindo apoiar esforços para proibir toda forma de castigo físico em crianças, tornando a falta de disciplina a norma em toda a sociedade.
O ponto preocupante é que se a falta de disciplina em lares cristãos fortes pode provocar grandes prejuízos, o que poderia ocorrer então a uma sociedade inteira que se deixou seduzir pela propaganda enganadora de que toda disciplina física equivale à violência? A Palavra de Deus pode não ter sido escrita por especialistas em psicologia, mas uma Mente Sábia está por traz de sua orientações. Trocar essas orientações por conselhos e leis da moda podem trazer alívio e acomodação no presente, mas também o espectro de um futuro incerto e sombrio, pois não há indivíduo ou sociedade que tenha experimentado sucesso rejeitando as orientações da Palavra de Deus.
Certos entendidos da Bíblia gostam de afirmar que algumas passagens da Bíblia não são mais válidas, porque na opinião deles sua aplicação só tem relevância para a cultura e sociedade do passado. Por exemplo, se Eli e Davi utilizassem a vara para disciplinar seus filhos, esses entendidos concluiriam, conforme seus próprios desejos, que o uso da vara como instrumento de correção no lar tinha uma aplicação cultural para aquela época que hoje não mais tem. Mas a realidade é bem outra, de modo que seria muito interessante ver esses estudiosos se contorcendo para interpretar, contra seus próprios gostos, que a falta de disciplina é uma prática cultural do antigo Israel sem valor para os dias de hoje! Mas esses estudiosos não agem assim. Só quando lhes é conveniente é que eles reinterpretam a Bíblia utilizando o argumento cultural.

A disciplina e os castigos fazem parte da família espiritual e humana

Assim como Deus disciplina seus próprios filhos espirituais, ele também quer que os pais aqui na terra disciplinem seus próprios filhos.
Embora as medidas de Deus contra a teimosia, rebelião e desobediência de seu povo sejam extremamente enérgicas e duras, ele limitou as ações enérgicas dos pais à utilização da vara em casos de necessidade.
No Novo Testamento, o Senhor Jesus se utiliza de repreensões e castigos para lidar com a desobediência de algumas igrejas. Uma das igrejas recebeu a seguinte censura do Senhor:
“No entanto, contra você tenho isto: você tolera Jezabel, aquela mulher que se diz profetisa. Com os seus ensinos, ela induz os meus servos à imoralidade sexual e a comerem alimentos sacrificados aos ídolos. Dei-lhe tempo para que se arrependesse da sua imoralidade sexual, mas ela não quer se arrepender. Por isso, vou fazê-la adoecer e trarei grande sofrimento aos que cometem adultério com ela, a não ser que se arrependam das obras que ela pratica. Matarei os filhos dessa mulher. Então, todas as igrejas saberão que eu sou aquele que sonda mentes e corações, e retribuirei a cada um de vocês de acordo com as suas obras”. (Apocalipse 2:20-23 NVI)
Deus cuida de sua família espiritual, educando-a, treinando-a e castigando-a, e ele nos deixou o Livro de Provérbios a fim de que também eduquemos, treinemos e castiguemos nossos filhos. A educação de crianças de Provérbios pode ser resumida num só versículo:
“Eduque a criança no caminho em que deve andar, e até o fim da vida não se desviará dele”. (Provérbios 22:6 NTLH)
Com os conselhos sábios de Provérbios, os pais podem treinar seus filhos a andar no caminho do comportamento bom e certo, e até o fim da vida eles praticarão o que aprenderam e evitarão os maus comportamentos.
Ninguém é mais sábio do que Deus em matéria de criação de filhos. Nenhum livro da Bíblia fala tanto de sabedoria quanto Provérbios. E ninguém na terra foi mais sábio do que Salomão, pois sua sabedoria vinha de Deus. Assim, a sabedoria de Deus juntamente com a sabedoria de seu servo Salomão produziram os conselhos mais sábios que os pais precisam para desempenhar a responsabilidade de treinar seus filhos no bom caminho.
Os “sábios” deste mundo — que são verdadeiros tolos diante de Deus — só aceitam o que seus amigos “sábios” ensinam. Mas os verdadeiros sábios aceitam o que a Mente mais sábia do universo ensina em Provérbios.
“O tolo pensa que sempre está certo, mas os sábios aceitam conselhos.” (Provérbios 12:15 NTLH)
“Quem anda com os sábios será sábio, mas quem anda com os tolos acabará mal.” (Provérbios 13:20 NTLH)

Educação sem castigo físico: na moda desde os tempos de Eli

A propaganda da moda, que segue o método de Eli de conversar e repreender sem usar uma vara, prega que a disciplina física leva a violência aos lares e à vida dos filhos. Hofni, Finéias, Amnom, Absalão e Adonias — onde quer que eles estejam hoje — jamais concordariam com esse tipo de opinião! Eles se tornaram maus e violentos e agora estão pagando um elevado preço, sofrendo castigo eterno. Quem acha que o método de criação e educação de filhos sem castigo físico é invenção moderna superando práticas passadas, não conhece a vida de Eli e Davi. Esse método não foi inventado pelos especialistas de psicologia de hoje. Foi inspirado no coração humano e está em vigor há milhares de anos.
Assim como no caso de Salomão, que não escreveu sobre disciplina baseado nas experiências de infância que teve na casa de seu pai, o autor deste artigo e sua esposa vêm de lares onde os pais não acreditavam na eficácia dos castigos físicos. Acreditavam apenas no método de Eli, jamais tolerando que uma criança levasse uma palmadinha para corrigir atos de teimosia e rebelião. Aliás, num de nossos lares, além de abundantes revistas “especializadas” em criação de filhos com abundantes conselhos psicológicos à la Eli, havia também um manual do Dr. Benjamin Spock, responsável pela moderna rejeição em massa ao uso da disciplina física. Os livros do Dr. Spock são vendidos há mais de meio século — criando pelo menos três gerações inteiras de pais que amam e seguem suas teorias como se fossem tão ou mais sagradas do que todas as orientações do Livro de Provérbios.
Hoje, apesar de toda essa tradição em nossas famílias, acreditamos na Palavra de Deus, que está acima das experiências, tradições, modismos e opiniões humanas — até mesmo de cristãos bem intencionados que são uma bênção em muitas áreas, mas seguem os passos de Davi e Eli quando falam e ensinam sobre criação de filhos. O melhor manual de criação de filhos sempre foi e sempre será a Bíblia, e o maior mestre não é o Dr. Benjamin Spock. É o Autor da Bíblia.
É claro que Deus não aceita abusos de autoridade, porém não é certo utilizar os casos de violência e excessos para anular as orientações do Livro de Provérbios para os pais, pois a Palavra de Deus é clara que é justamente a falta da aplicação de castigos físicos que pode levar as famílias e seus filhos a destinos trágicos. Essas tragédias poderão ter um grande aumento em toda a sociedade, pois a meta do governo é proibir os pais de disciplinar os filhos. Essa proibição inevitavelmente tornará ilegal e crime obedecer às orientações de Deus em Provérbios.
Eli morreu há mais de três mil anos, mas seus seguidores hoje são muitos, principalmente entre educadores, psicólogos e defensores dos “direitos” das crianças. Se estivesse vivo, ele exigiria sua marca registrada do método que muitos psicólogos hoje arrogantemente atribuem a seus próprios conceitos. Ele diria o que é muito comum em nossos dias: “Quero meus direitos! Eu sou o pai desse método! Essa invenção pertence a mim!” Ele poderia até processar os psicólogos por lhe terem roubado a invenção da “disciplina sem castigo físico”. Bom então para os psicólogos que Eli não esteja vivo!
Brincadeiras de lado, Eli e seus filhos podem estar sofrendo castigo eterno por não reconhecerem o valor do castigo físico aqui na terra. Pai e filhos podem estar pagando o mesmo preço, por causa de seus pecados. Bem que a Palavra de Deus avisa:
“Não fique com medo de corrigir seus filhos; uma surra não os matará. Uma boa surra, aliás, pode salvá-los de algo pior do que a morte.” (Provérbios 23:13-14 MSG)
Fonte: www.juliosevero.com