domingo, 12 de setembro de 2010

Poligamia







A Poligamia no grego significa muitos matrimônios, isto é, uma união reprodutiva entre mais de dois seres de uma mesma espécie. No reino animal, a poligamia se refere à relação onde os animais mantêm mais de um vínculo sexual no período de reprodução. Nos humanos, a poligamia é o casamento entre mais de duas pessoas. Os casos mais típicos são a poliginia, em que um homem é casado com várias mulheres, e a poliandria (grego: poly- muitos, andros- homem), que é um fato muito interesante, pois entende-se de uniões em que uma só mulher é ligada a dois ou mais maridos ao mesmo tempo. É o oposto da poliginia, forma de poligamia em que um homem possui duas ou mais esposas. Não deve confundir-se com o amantismo (relacionamento extra conjugal com outra pessoa), que é também comum nas sociedades.

Aspectos históricos

A poligamia já foi regra nos grupos humanos durante a história, práticado pela sociedades primitivas como algo comum. A poligamia foi amplamente usada, tendo como principal causa a grande diferença numérica entre homens e mulheres ocasionada pelas guerras. Atualmente mesmo em países onde esta é uma prática legal está caindo em desuso, sendo amplamente usada somente em áreas de conflitos. A questão sempre esteve também no centro dos debates religiosos.

No Islã, por outro lado, a poligamia ainda é uma prática utilizada influenciada pela religião mulçumana (o próprio profeta Maomé teve 16 mulheres como esposa ao mesmo tempo). Hoje, a poligamia continua a ser adotada por alguns países influenciados pela religião muçulmana e em processo de adoção em outros países. O costume é regulamentado pelo Alcorão que tolera a poligamia e permite um máximo de 4 esposas .Se vós temeis não serdes capazes de conviver justamente com os órfãos, casai com mulheres de sua escolha, 2 ou 3 ou 4 vezes; mas se temerdes que não sereis capazes de conviver justamente com elas, então casai somente com uma” Alcorão (4:13).

Outra seita a adotar esta prática é Igreja dos Santos dos Últimos Dias, fundada por Joseph Smith. como podemos pesebe a poligamia faz parte da historia da humanidade desde de muito tempo.

Depois de termos analisado o singnificado da palavra e sua historia, é importante sabermos agora o que a biblia nos diz a respeito desse assunto: Deus condena a poligamia?

Dificilmente um cristão negaria essa afirmação. Mas se isso é verdade, então por que Deus permitiu que Salomão tivesse setecentas mulheres e trezentas concubinas, segundo consta em 1 Reis 11.3? A resposta é: Esta poligamia praticada não significa dizer que a Palavra de Deus a apoia. Antes de tudo, temos que entender que a Bíblia também é histórica e, logo, a poligamia retratada era uma questão cultural, fazendo parte dos costumes locais.

“Ter muitas mulheres” significava poder econômico. Mostrava a capacidade do homem de sustentar uma casa com muitas amantes. Hoje, tais poderes se medem pelo dinheiro mesmo!

Os patriarcas e os reis bíblicos adotaram este costume, e não podem ser censurados por isto, porque simplesmente estavam inseridos em um quadro cultural totalmente diferente do atual.

A monogamia é o padrão de Deus para os homens. Isto está claro nos seguintes fatos: Desde o princípio Deus estabeleceu este padrão ao criar o relacionamento monogâmico de um homem com uma mulher, Adão e Eva (Gn 1:27; 2:21-25). Esta ficou sendo a prática geral da raça humana (Gn 4:1), seguindo o exemplo estabelecido por Deus, até que o pecado a interrompeu (Gn 4:23). A Lei de Moisés claramente ordena: “Tampouco para si multiplicará mulheres” (Dt 17:17).

A poligamia nunca foi estabelecida por Deus para nenhum povo, sob circunstância alguma. De fato, a Bíblia revela que Deus puniu severamente aqueles que a praticaram, como se pode ver pelo seguinte:

1- A primeira referência à poligamia ocorreu no contexto de uma sociedade pecadora em rebelião contra Deus, na qual o assassino “Lameque tomou para si duas esposas” (GN 4:19,23).

2- Deus repetidamente advertiu os polígamos quanto às consequências de seus atos: “para que o seu coração se não desvie” de Deus (Dt 17:17; cf. 1 Rs 11:2).

3- Deus nunca ordenou a poligamia, como também o divórcio, ele somente a permitiu por causa da dureza do coração do homem (Dt 24:1; Mt 19:8).

4- Todo praticante da poligamia na Bíblia, incluindo Davi e Salomão (1 Crônicas 14:3), pagou um alto preço por seu pecado.

5- Deus odeia a poligamia, assim como o divórcio, porque ela destrói o seu ideal para a família (cf. Ml 2:16).

Também, na época dos juízes e dos reis, a monogamia era o estado de vida mais comum. Mas não haviam somente pessoas com alto poder econômico naquele tempo, a família também era representada como uma comunidade monogâmica. (Pr 5,15-20)(Ecl 9,9)(Ecl 9,9)

No novo testamento, Jesus em várias passagens deixou claro que a monogamia é o estado conjugal que Deus quer desde a criação e que todo desvio é simplesmente obra do mal.

“3.Os fariseus vieram perguntar-lhe para pô-lo à prova: É permitido a um homem rejeitar sua mulher por um motivo? Quais? Jesus respondeu: Não lestes que o Criador, no começo, fez o homem e a mulher e disse: 5. Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher; e os dois formarão uma só carne? 6. Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu. 7. Disseram-lhe eles: Por que, então, Moisés ordenou dar um documento de divórcio à mulher, ao rejeitá-la? 8. Jesus respondeu-lhes: É por causa da dureza de vosso coração que Moisés havia tolerado o repúdio das mulheres; mas no começo não foi assim.9. Ora, eu vos declaro que todo aquele que rejeita sua mulher, exceto no caso de matrimônio falso, e desposa uma outra, comete adultério. E aquele que desposa uma mulher rejeitada, comete também adultério.”(Mt 19,3-9). Em resumo, a monogamia é ensinada na Bíblia de várias maneiras: pelo exemplo precedente, já que Deus deu ao primeiro homem apenas uma mulhe; pela proporção, já que as quantidades de homens e mulheres que Deus traz ao mundo são praticamente iguais; por preceito, já que tanto o AT como o NT a ordenam (veja os versículos acima); pela punição, já que Deus puniu aqueles que violaram o seu padrão (1 Rs 11:2).

Fonte de Pesquisa: Bíblia, perguntas que o povo faz; Frei Mauro Strabeli, edt. Paulus, pg.45 e 46.Fonte: GEISLER, Norman L e HOWE, Thomas. Manual popular de dúvidas, enigmas e “contradições” da Bíblia. Traduzido por Milton Azevedo Andrade. São Paulo: Mundo Cristão, 1999. P. 191,1


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postado por :miguel silva

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Não se pode explicar o universo sem Deus

Não restam dúvidas de que Stephen Hawking é intelectualmente destemido como um herói da física. E em seu último livro, o notável físico propõe uma audaciosa mudança na crença religiosa tradicional na criação divina do universo. Conforme Hawking, as leis da física, não a vontade de Deus, proveem a explicação real de como a vida na Terra veio a existir. O Big Bang, ele argumenta, foi a inevitável consequência daquelas leis “porque há uma lei como a gravidade, o universo pode e quis criar a si mesmo do nada”. Desafortunadamente, enquanto o argumento de Hawking está sendo saudado como controverso e revolucionário, ele dificilmente seria novo.

Por anos, outros cientistas têm feito afirmações semelhantes, sustentando que o assombroso, a criatividade sofisticada do mundo ao nosso redor, pode ser interpretado somente com referência às leis físicas, assim como a gravidade. Isso é uma abordagem simplista, ainda que em nossa época secularizada seja a única que aparenta ter ressonância com um ceticismo público.

Mas, como cientista e cristão, simultaneamente, eu gostaria de dizer que a afirmação de Hawking é equivocada. Ele nos pede para escolher entre Deus e as leis físicas, como se eles estivessem necessariamente em conflito mútuo. Porém, contrariamente ao que Hawking declara, leis físicas nunca podem prover uma completa explanação do universo. As próprias leis não criaram nada; elas meramente são uma descrição do que acontece sob certas condições.

O que parece que Hawking fez foi confundir leis com o agente. Seu chamado a nós para escolhermos entre Deus e as leis é quase como alguém nos exigir para optar entre o engenheiro aeronáutico Sir Frank Whittle e as leis da física para explicar o mecanismo do avião. Esta é a confusão de categoria. As leis da física podem explicar como o mecanismo do avião funciona, mas alguém tem de construir, pôr em funcionamento e dar a partida. O avião não poderia ser criado sem as leis da física por si mesmas – todavia, para o desenvolvimento e criação, precisa-se do gênio de Whittle como seu agente. De modo similar, as leis da física nunca poderiam ter construído o universo. Algum agente deve ter se envolvido.

Para usar uma simples analogia: as leis do movimento de Isaac Newton, em si mesmas, nunca fizeram uma bola de sinuca atravessar o carpete verde, o que somente pode ser feito por pessoas usando o taco de sinuca e as ações de suas mãos.

O argumento de Hawking me parece até muito mais ilógico quando ele diz que a existência da gravidade torna a criação do universo inevitável. Mas como poderia a gravidade existir em primeiro lugar? Quem a pôs ali? E qual foi a força criativa por trás de seu início? De forma análoga, quando Hawking argumenta, em apoio à sua teoria de geração espontânea, que isso era somente necessário para “o azul tocar o papel” para ser iluminado para “deixar o universo vir”, a questão deve ser: De onde vem esse azul que toca o papel? E quem o fez, se não Deus?

Muito da racionalidade que se segue ao argumento de Hawking engana-se com a ideia de que há um conflito aprofundado entre ciência e religião. Mas reconheço que não há desacordo entre elas. Para mim, como religioso cristão, a beleza das leis científicas somente reforça minha fé em uma inteligência, força divina e criativa em operação. Creio em Deus por causa da maravilha na abrangência, sofisticação e integridade de sua criação.

A verdadeira razão para a ciência florescer tão vigorosamente nos séculos 16 e 17 foi precisamente devido à crença de que as leis da natureza, as quais foram então descobertas e definidas, reflete a influência de uma divina legislação. Um dos temas fundamentais do Cristianismo é que o universo foi feito de acordo com um Planejador racional e inteligente. A fé cristã proporciona perfeito senso científico.

Alguns anos atrás, o cientista Joseph Needham fez um estudo épico do desenvolvimento tecnológico na China. Ele queria descobrir por que a China, com todos os seus precoces dons de inovação, tinha falhado por estar tão atrás da Europa em seu desenvolvimento da ciência. Ele relutantemente chegou à conclusão de que a ciência europeia tinha sido estimulada pela disseminada crença na racional força criativa, conhecida como Deus, a qual fez todas as leis científicas compreensíveis.

Não obstante, Hawking, como muitos outros críticos da religião, quer que creiamos que não somos nada mais que uma aleatória coleção de moléculas, o produto final de um processo não intencional. Se verdadeiro, isso poderia indeterminar quanta racionalidade precisamos para estudar a ciência. Se o cérebro fosse realmente o resultado de um processo não dirigido, então não há razão para crer em sua capacidade para nos dizer a verdade.

Vivemos em uma época de informação. Quando vemos algumas letras do alfabeto escrevendo nosso nome na areia, imediatamente nos sentimos responsáveis em reconhecer o trabalho de um agente inteligente. Como muito mais, provavelmente, então, estaria um criador inteligente por trás do DNA humano, o colossal banco de dados biológico que contém não mais que 3,5 bilhões de “letras”?

É fascinante que Hawking, em ataque à religião, sente-se compelido a colocar tanta ênfase na teoria do Big Bang. Porque, por mais que os não crentes não gostem disso, o Big Bang combina exatamente com a narrativa da criação cristã. Isso porque, antes de o Big Bang se tornar usual, vários cientistas foram forçados a admitir isso, apesar disso parecer se alinhar à história da Bíblia. Alguns aderiram à visão aristotélica do “universo eterno” sem início ou fim; mas essa teoria, e recentes variantes dela, estão agora profundamente desacreditadas.

Mas apoio à existência de Deus está muito além da realidade da ciência. Dentro da fé cristã, há também a poderosa evidência de que Deus Se revelou à humanidade através de Jesus, há dois milênios. Isso é tão documentado não apenas nas Escrituras e em outros testemunhos, mas igualmente na fortuna das descobertas arqueológicas.

Sendo assim, as experiências religiosas de milhões de crentes não podem claramente estar enganadas. Eu mesmo e minha própria família podemos testemunhar sobre a influência que a fé tem em nossa vida, algo que desafia a ideia de que não somos nada mais do que uma coleção aleatória de moléculas.

É tão forte quanto óbvia a realidade de que somos seres morais, capazes de entender a diferença entre certo e errado. Não há rota científica para tais conceituações éticas. A física não pode inspirar nosso discernimento dos outros, ou do espírito de altruísmo que existe na sociedade humana desde a aurora do tempo.

A existência de um conjunto comum de valores morais aponta para a existência de uma força transcendente além das meras leis físicas. Assim, a mensagem do ateísmo tem sempre sido curiosamente a única depressiva, retratando-nos como criaturas egoístas inclinadas a nada mais do que sobrevivência e autogratificação.

Hawking também pensa que a existência potencial de outras formas de vida no universo mina a tradicional convicção religiosa de que somos o único motivo para Deus criar o planeta. Mas não há prova de que outras formas de vida existam fora, e Hawking certamente não presenciou nenhuma.

Sempre me diverte que o ateísmo geralmente argumente pela existência de inteligência extraterrestre além da Terra. Assim, eles também estão somente ansiosos para denunciar a possibilidade, a qual nós já aceitamos, de um vasto e inteligente Ser externo ao mundo: Deus.

O novo fuzilamento de Hawking não pode abalar os fundamentos da fé que está baseada em evidência. 


Tradução: http://questaodeconfianca.blogspot.com/2010/09/como-cientista-eu-estou-certo-de-que.html
Original: http://www.dailymail.co.uk/debate/article-1308599/Stephen-Hawking-wrong-You-explain-universe-God.html

domingo, 5 de setembro de 2010

Primeiro Encontro Reformado Conservador 2010


Tema: Reino



· Papel Do Súdito No Reino No Mandato Cultural
Preleitor: Rev. Jaziel Cunha

· O Que É Teonomia?
Preleitor: Rev. Marcos Roberto

· Reconstrucionismo E Dominionista
Preleitor: Rev. Kenneth Wieske


25 A 27 De Novembro De 2010
Das 19h Às 21h
No Cineteatro Paulo Freire

Realização: Sala de Estudo Reformado (SERE) e Igreja Presbiteriana Conservadora
Maiores Informações: (081) 8725-8778 - Jaziel Cunha/ (081) 8790-8501 - Miguel Silva

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Estadistas, alienados ou carreiristas?


Os evangélicos e o projeto histórico

O povo de Deus deveria ser um povo de estadistas: capaz de uma compreensão correta e de uma participação ética e competente no tratamento da coisa pública. Deveria ter um envolvimento ativo na vida em sociedade, na promoção do bem comum. As desinformações, os preconceitos, os medos, o ódio, a corrupção, a maledicência e os interesses subalternos não deveriam se fazer presentes no meio do povo de Deus, deformando o exercício da sua cidadania, como sinais e evidências sociais do pecado.

Cidadania e Projeto
A crise da cidadania entre os evangélicos — apontam os analistas — decorre da falta de, entre eles, um projeto histórico: de que modo a sua presença alteraria os rumos da nação e do Estado no Brasil? Não está em discussão o projeto espiritual, metafísico ou escatológico — o além e o futuro — mas o aquém e o presente. Não está em discussão a conversão pessoal e o projeto subjetivo e individual de cada crente, mas o obje-tivo e o coletivo. Somos um povo ou apenas uma colagem de indivíduos?

As eleições, especialmente as presidenciais, se constituem num im-portante momento para uma sincera auto-avaliação, caso queiramos crescer.

Tivemos projetos coletivos no Brasil no passado? Sim.

No Segundo Reinado (sob a Constituição de 1824), o projeto político dos evangélicos era o de adquirir a plenitude da cidadania, o exercício pleno dos direitos que nos eram vedados pela lei. Levantamos a bandeira da Separação entre Igreja e Estado, em composição com uma frente que incluía os liberais, os republicanos, os maçons e os livres-pensadores. Esse projeto foi ampliado com a condenação da escravidão e a defesa da República. A Abolição, a República e a Constituição de 1891 tornaram esse projeto vitorioso.

Na Primeira República — apesar de se ter abolido uma religião oficial — sentimos o peso do preconceito social e da discriminação por parte das autoridades. Levantamos a bandeira do Estado laico, e continuamos a disseminar, entre os setores formadores de opinião, a ideologia do progresso e da democracia como decorrências do protestantismo. As escolas e colégios foram os principais veículos pioneiros desse projeto: mistas, profissionalizantes, valoriza-doras dos esportes e da educação física, que influenciaram as reformas educacionais promovidas pelos governos nos anos 20. A emergente classe média se sentia atraída pela proposta.

De 1855 a 1930 tivemos projetos históricos, que foram sendo absorvidos pelo setor público e por outros segmentos sociais, e nos esgotamos como vanguarda, sinalizadora do novo e do melhor para o país.

Durante a Ditadura Vargas (1930-1945) ficamos no discurso de que os países protestantes eram mais progressistas (de escassa ressonância diante da polarização Integralistas versus Comunistas). Na República Populista (1946-64) queríamos apenas um lugar ao sol, ser considerados normais, reconhecidos pelas autoridades (visita de Jucelino à Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro, em 1959) ou mostrar que éramos numerosos (enchendo o Maracanã com os batistas e Billy Graham, em 1960).

Apoliticismo e Realismo
Fomos, então, atingidos em cheio pela Guerra Fria, com a polarização entre uma direita e uma esquerda protestantes. A Conferência do Nordeste, da Confederação Evangélica do Brasil (1962, em Recife, PE) e o Manifesto dos Pastores Batistas (1963, em Vitória, ES) foram sinais daquele tempo de fecunda inquietação, diante de um mundo que passava por uma profunda revolução cultural.

Durante a Ditadura Militar (1964-1985) mandamos às favas o nosso compromisso histórico com a democracia e o constitucionalismo, nos aliamos à direita católica romana, perseguindo os dissidentes “corruptos” e “subversivos”. Assim, o fundamentalismo, ora alienante ora adesista, foi imposto como teologia única às denominações, com a assistência “técnica” dos irmãos do Norte. Toda uma geração foi despolitizada.

Com a redemocratização espalhamos a mentira do acordo secreto entre Tancredo Neves e a Igreja Romana, trocamos votos de nossa bancada parlamentar — uma rádio por um ano de mandato. O bem comum já tinha ido para o lixo. Agora era o corporativismo do “bem nosso” mesmo.

A agressividade e a falta de ética marcaram nossa participação nas eleições presidenciais de 1989, quando fomos co-responsáveis pela vitória de um desequilibrado e aético, apresentado nos púlpitos como “um homem de Deus”. Caímos no messianismo da nossa cultura e nas promessas de “um lugar no teu reino...”

Já o trauma da mancada e o impeachment nos permitiram, em 1994, uma eleição mais moderada e civilizada entre os evangélicos, com a maioria das denominações (ao menos formalmente) respeitando o pluralismo no seu interior, embora um setor ainda insistisse no clima da “guerra santa”. Segmentos expressivos, contudo, se encantaram com o charme do príncipe-intelectual (ex-ateu confesso, “convertido” a uma fitinha do Senhor do Bonfim).

Luzes da Pátria?
Esperamos que, para as eleições presidenciais deste ano, tenhamos amadurecido em cultura política e em ética, em conhecimento do nosso legado histórico e em leitura abrangente das Sagradas Escrituras. Que haja um clima de respeito no interior das igrejas e um sentido de crítica e independência fora delas.

O Brasil se encontra sem um projeto nacional. O nacional-desenvolvimentismo, legado por Vargas, está parcialmente esgotado; uma parte — as conquistas sociais — é alvo da destruição dos seus adversários no poder. A subserviência aos donos do poder mundial, a arrogância, o falso discurso, as falências das empresas nacionais, o desemprego, a falta de uma política agrária e agrícola, o desprezo ao servidor público e aos aposentados, a violência, o sucateamento da saúde e da educação públicas são evidentes.

Intelectuais, políticos, artistas, setores organizados da sociedade civil têm elaborado alternativas, que são ignoradas ou ridicularizadas.

Os evangélicos não podem se comportar de modo individualista, insensível e irresponsável, nem podem apenas buscar vantagens pessoais ou para a sua corporação religiosa. O nosso compromisso é com o fomento do reino de Deus, de justiça e paz. E Deus nos colocou neste país com um propósito: salgá-lo e iluminá-lo, conhecendo-o, amando-o, comprometendo-se e identificando-se com ele, portando sua identidade. Conscientes do nosso papel transformador, vamos agir lançando mão da intermediação científica para a compreensão e da intermediação das organizações sociais para a participação.

Inconformados com o presente, profetas do Altíssimo, colaboremos para a elaboração de um projeto alternativo, para darmos novos rumos à pátria terrena que amamos e que os maus brasileiros querem destruir.

Robinson Cavalcanti é bispo da Diocese Anglicana do Recife, PE.

POSTADO: Anderson Queiroz

terça-feira, 24 de agosto de 2010

O Cristão e o Casamento Civil




Esse texto contém alguns detalhes polêmicos mas isso não quer dizer que essa é a opinião dos autores do blog. Leia todo texto e faça sua crítica.

É válido casar simplesmente no civil? Ou é necessário casamento religioso para confirmar o civil?
Casamento é uma ordenança da criação, não uma ordenança de culto (a palavra refere-se a uma forma de adoração, não sendo necessariamente negativa). Ele difere fundamentalmente de algo como o batismo e a comunhão.
Ora, batismo e comunhão precisam estar associados ao culto apropriado. Por essa razão, o batismo e a comunhão católica não contam. Se bem me recordo, Calvino apontou que uma pessoa que foi batizada no catolicismo-romano não precisaria ser batizada novamente. Eu discordo disso. Essa pessoa jamais foi batizada. Um mórmon ou budista pode lançar um balde de água sobre mim, mas isso não corresponderá a um batismo cristão. Eu nego que católicos sejam cristãos; portanto, nego que o batismo católico seja batismo cristão. Assim, me oponho neste ponto a muitos reformados e demais cristãos.
Também, os reformados até mesmo registraram em algumas de suas confissões que somente pessoas devidamente ordenadas poderiam batizar ou servir a santa ceia. Trata-se de uma grande bobagem. Não existe base bíblica para isso. Antes, a Bíblia diz que todos os cristãos são sacerdotes em Cristo; já que somos sacerdotes, e por também não existir qualquer exceção explícita a isso, até mesmo uma criança ou mulher cristã podem em princípio servir a ceia, assim como uma criança ou mulher podem ensinar e pregar a palavra de Deus. A única proibição a elas é autoridade oficial na igreja. É uma grande diferença. Por questão de ordem na igreja, alguns indivíduos, mais provavelmente ministros, são designados a batizar e servir a ceia, mas isso não significa que somente eles podem fazê-lo. É uma negação direta do sacerdócio de todos os crentes restringir funções sacerdotais a ministros ordenados ― como se houvesse uma elite entre os crentes, que é precisamente aquilo a que os reformados dizem se opor.
Casamento é diferente, pois ele não está associado a qualquer culto. Antes, o que “faz” um casamento é o acordo entre um homem e uma mulher de constituir esse tipo de relacionamento. Deus é a única testemunha necessária, sendo ele testemunha de todo casamento, seja Deus explicitamente considerado ou não. O primeiro casamento não teve o testemunho de terceiros. Não existia Estado nem igreja ― a não ser que usemos a palavra “igreja” de forma tão vaga que Adão e Eva tenham contado como igreja, mas ainda perceberemos uma diferença, já que não houve culto formal. Assim, Estado e igreja não podem criar nem destruir um casamento ― o relacionamento não tem relação necessária com essas coisas, mas é constituído somente entre homem e mulher. O Estado e a igreja podem apenas reconhecer o acordo entre o homem e a mulher. A igreja deve ser especialmente cuidadosa com relação a isso ― ela não tem um poder místico para constituir a união, e por isso não deve reivindicá-lo.
A implicação é consistente com o que (espero!) a maior parte das pessoas já sabe. Reconhecemos que casais não cristãos estão de fato casados, não importando como tenha se dado esse casamento. Se as duas pessoas dizem que estão casadas, acreditamos que estão casadas; e poderíamos esperar delas um comportamento de pessoas casadas, aplicando-se assim todas as proibições contra o adultério, bem como a liderança masculina, a submissão feminina, e assim por diante. Se o homem fugisse com outra mulher e se casasse ela, não iríamos encolher os ombros e dizer “Bem, na verdade ele era solteiro, e por isso não fez nada de errado”. Não, iríamos dizer que ele já estava casado, e por isso cometeu adultério e poligamia. Em outras palavras, não importa se um casal realizou matrimônio por uma igreja, pelo Estado ou mesmo por uma cerimônia vodu ― se eles concordam que estão casados, eles estão casados. A cerimônia é apenas uma formalidade acrescentada ao acordo matrimonial “real”. É claro, a Bíblia registra cerimônias de casamento, mas como história, e não como um ensino doutrinário que essas cerimônias seriam necessárias para se fazer um casamento. O que DEUS uniu, não separe o homem ― o homem não tem poder de fazer nem um, nem outro.
Cristãos consideram o casamento como especial e espiritual. Eu concordo. Mas isso não justifica a tentação de transformá-lo em algo que ele não é. Ele não é um sacramento. É um acordo instituído na criação, não um culto. Reservar algum poder especial à igreja para “fazer” uma união matrimonial é pensamento católico. É atitude muito hipócrita protestantes, especialmente os reformados, discordarem do que estou dizendo aqui.
Para resumir, nenhuma cerimônia humana que vá além do acordo entre o casal é estritamente necessária. Todavia, quando vivemos numa sociedade, existem frequentemente cerimônias e condutas vinculadas a esse acordo matrimonial básico, de modo que ele pode ser reconhecido nessa sociedade, podendo o casal então agir como uma unidade conjugal. É por isso que fazemos registro no governo, etc. O casamento civil é aceitável porque nenhum Estado ou igreja de fato realizam o casamento.
Imagino que muitos cristãos ficariam desconfortáveis com o que estou dizendo aqui, mas está tudo baseado em tradições humanas. Tenha você apenas em mente que essa doutrina não torna o casamento algo mais livre, mas sim algo mais rigoroso. Estamos dizendo que Deus exige responsabilidade de todo casamento, não apenas dos realizados numa igreja. Ele exige que todos os casamentos não cristãos sejam submetidos a padrões bíblicos, e é claro, essas pessoas jamais podem viver à altura desse padrão.
No plano pessoal, você deve reservar um tempo para definir a questão com base na palavra de Deus, e não na tradição humana, de modo que sua consciência fique alinhada com a verdade. E assim você será livre para agir de forma confiante e honrada.
Tradução: Marcelo Herberts Publicado em 29 de abril de 2010 –Vincent Cheung
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domingo, 22 de agosto de 2010

Liturgia de Tradição Reformada


A LITURGIA REFORMADA

Características

1. Objetividade

No entendimento de Calvino, o culto tem o objetivo principal de glorificar a Deus. Todos os elementos da liturgia — leitura, oração, canto, sacramento, sermão — combinam-se para dar voz a uma grande doxologia oferecida pelo seu povo.

Calvino rejeitou os outros conceitos do culto, correntes em sua época:

a) O da Igreja Medieval, para a qual a liturgia servia como meio de obter graça e perdão. Calvino ensinou que a graça e o perdão já foram alcançados para nós pelo sacrifício de Cristo. A congregação se reúne, não para obter graça , mas para celebrar com gratidão o dom gracioso da salvação, concedido por Deus aos que crêem;

b) O dos Anabatistas, os quais argumentavam que a finalidade do culto é proporcionar ânimo e conforto espiritual ao indivíduo. Calvino contestou esta posição por ser uma inversão do objetivo do culto, centralizando-o nos sentimentos do crente, ao invés de dirigi-los ao criador. O culto reformado não é subjetivo, com ênfase nas emoções religiosas do indivíduo. É a glória de de Deus que buscamos no culto, e esta em primeiro lugar. O nosso próprio benefício espiritual é um dos frutos que resulta da adoração a Deus. A comunidade cristã se reúne para render ao Senhor “a glória devida ao Seu Nome”

2. Ênfase na Palavra do Evangelho

É na Palavra do Evangelho que Deus se revela a seu povo: a) nas leituras das Escrituras Sagradas; b) no sermão; c) na Santa Ceia, em que a mesma Palavra é comunicada por outra maneira.

3. Ênfase no sacramento da Santa Ceia – Calvino insistia em que a santa Ceia devia ser celebrada todos os Domingos – (Institutas, IV, XVII, xliii). João Knox também deu a mesma importância ao Sacramento. A mesa da Ceia era o ponto central no templo (não o púlpito e nem tão pouco um altar), o ministro dirigindo o culto da mesa, subindo para o púlpito apenas para ler as Escrituras e para pregar. Em Genebra , os participantes sentavam-se à volta da mesa para tomar a Ceia do Senhor.

Para Calvino, o ponto culminante da liturgia é o Sacramento.

4. Continuidade com o passado

A liturgia não era uma “reforma” feita na Missa; era o reestabelecimento do culto da Igreja Primitiva, sem as perversões da Idade Média.

O Instrumento com que Calvino contou para efetuar a restauração do culto da Igreja Primitiva foi o Saltério. Nos Estatutos relativos à Organização da Igreja e do Culto em Genebra (1537), Calvino escreveu: “Desejamos que os Salmos sejam cantados na Igreja de acordo com o uso da antiguidade e o testemunho de São Paulo. O canto dos Salmos nos estimula a levantar os nossos corações a Deus”. Juntamente com os Salmos, foram cantados também os credos dos primeiros séculos da Era Cristã, o Decálogo, o Nunc Dimitris e outros hinos do Novo Testamento – todos metrificados. O culto Reformado não era inovação baseada na invenção dos reformadores; tinha profundas raízes no passado nas liturgias do antigo Israel e na Igreja Católica primitiva.

5. Ênfase na participação de todo o povo

Através dos hinos todo o povo de Deus participava na liturgia. Não era um coro de vozes treinadas, que cantava para uma assistência; era a congregação de Jesus Cristo, que cantava para o louvor e a glória de Deus.

6. “Faça-se tudo decentemente e com ordem” (I Coríntios 14:40)

A liberdade dentro dos princípios do Cristianismo Primitivo evitava por um lado, o formalismo de ritos mortos, e portanto, o relaxamento que se observa em muitas igrejas, onde qualquer “salada” seve para o culto e onde não existe qualquer senso de liturgia.

Calvino insistiu em que houvesse liberdade disciplinada, na liturgia do culto.

7. Liturgia em função da Transformação da Igreja e da Sociedade

É importante notar que para Calvino, dar glória a Deus significava muito mais do que entoar louvores no templo aos Domingos. Para ele, significava permitir que o Espírito Santo transformasse a vida individual e coletiva de tal forma que atingisse todos os seus aspectos religiosos, familiares, sociais, políticos, culturais, para se tornarem um grande salmo de louvor a Deus.

Fonte: apostila de palestra sobre Ano Cristão, Liturgia Reformada e Cores Litúrgicas, autor desconhecido